Post: Pedágio da Br-381 aumenta, mas obras em trechos críticos seguem lentas

Aumento do pedágio na BR-381 ocorre sem melhorias significativas nas obras de segurança da rodovia.
Pedágio da Br-381 aumenta, mas obras em trechos críticos seguem lentas

Desde o início deste mês, os motoristas que utilizam a rodovia BR-381 em Minas Gerais enfrentam um novo desafio: o aumento nas tarifas de pedágio, que agora estão mais elevadas, enquanto as obras prometidas para melhorar a segurança da estrada continuam em um ritmo preocupantemente lento. A concessionária Nova 381 S.A. reajustou os preços nas cinco praças sob sua gestão — Caeté, João Monlevade, Jaguaraçu, Belo Oriente e Governador Valadares — aplicando um aumento de 4,1%, correspondente ao IPCA acumulado entre julho de 2025 e junho de 2026.

Este aumento de tarifas ocorre em um cenário alarmante, onde a rodovia registrou 999 acidentes no último ano, conforme o Boletim Anual de Sinistros da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Dentre esses, 21 foram graves, resultando em 26 mortes, com as colisões frontais sendo as mais frequentes e letais. Um levantamento da ANTT revela que os acidentes estão concentrados em pontos específicos dos 303,4 km sob concessão, que se estendem de Belo Horizonte a Governador Valadares, atravessando 21 municípios.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a situação é ainda mais complexa. Embora o corredor esteja sob a concessão da BR-381, o governo federal mantém sob a responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) as obras de duplicação e restauração de trechos críticos, como os lotes 8A e 8B. Esses lotes, que abrangem 31,4 quilômetros do km 422,4 ao km 453,8, possuem os piores índices de segurança da rodovia.

Particularmente, o trecho entre os km 430 e 440 apresentou 58 acidentes e 10 mortes em 2025, segundo o Guia CNT de Segurança nas Rodovias. Um incidente trágico ocorreu no km 438, onde um carro de reportagem colidiu frontalmente com um caminhão, resultando na morte da repórter Alice Ribeiro e do cinegrafista Rodrigo Lapa. Essa colisão aconteceu no mesmo dia em que as máquinas deveriam chegar ao lote 8A, cuja ordem de serviço para início das obras foi assinada apenas 16 dias antes.

O lote 8A, que abrange 18 quilômetros e recebe cerca de 35 mil veículos diariamente, está previsto para consumir mais de R$ 405 milhões do Novo PAC, com conclusão esperada para 2028. Já o lote 8B, que vai de Sabará a Belo Horizonte, é o mais movimentado do corredor, com cerca de 100 mil veículos por dia. Embora o contrato de R$ 509,9 milhões para as obras tenha sido assinado em maio de 2025, até o momento, apenas a fase de projeto foi iniciada, e a execução física depende de uma nova ordem de serviço, ainda sem data definida.

Diante desse cenário desafiador, a concessionária Nova 381 S.A. decidiu antecipar a duplicação de 6 quilômetros em Antônio Dias, originalmente programada para 2027. As obras começaram em abril e incluem a estabilização de encostas e drenagem, com previsão de conclusão em fevereiro de 2028. A ANTT também autorizou intervenções em outros trechos, com prazos contratados até fevereiro de 2028.

Enquanto isso, a concessionária mantém uma agenda de manutenção, incluindo recuperação do pavimento e limpeza do sistema de drenagem, além de obras no viaduto do Severo em Antônio Dias, que devem ser concluídas antes do período de chuvas em outubro. Apesar desses esforços, a situação estrutural da rodovia permanece inalterada desde o início da concessão: dos 303,4 km, 223,83 km ainda são pista simples.

Procurados pela reportagem, o Ministério dos Transportes e o Dnit não responderam aos pedidos de esclarecimento sobre os prazos de entrega física dos lotes 8A e 8B até a publicação deste conteúdo.

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