A nova Torre Alto das Nações, localizada na zona sul de São Paulo, destaca-se como o maior edifício comercial do Brasil, alcançando impressionantes 219 metros de altura. Este marco arquitetônico, desenvolvido pela WTorre, é o primeiro prédio na capital paulista a ultrapassar a marca dos 200 metros, prometendo transformar o skyline da cidade. Com lajes de 2,3 mil metros quadrados, um heliponto e mais de 30 elevadores, a expectativa é que o edifício receba cerca de 10 mil visitantes diariamente. Entre suas principais atrações, um mirante em um cubo de vidro que se projeta para fora do prédio oferece uma vista panorâmica da cidade, semelhante ao famoso Skydeck de Chicago.
Embora a data de abertura ainda não tenha sido divulgada, a previsão é que o espaço esteja disponível ao público até o final deste ano, incluindo horários noturnos e fins de semana. A nova torre também marca uma mudança significativa no cenário imobiliário brasileiro, já que o Órion Complex, em Goiânia, que possuía 191 metros, perde o título de maior edifício comercial do país. Em São Paulo, o recorde anterior pertencia ao Platina 220, que, com seus 171,7 metros, agora fica 47 metros abaixo do novo gigante.
Contudo, a Torre Alto das Nações não ocupa a primeira posição no ranking nacional de altura. Segundo o Council on Tall Buildings and Urban Habitat, ela ocupa a sexta posição entre os prédios concluídos no Brasil, atrás de cinco edifícios residenciais de Balneário Camboriú, sendo a Torre 2 do Yachthouse by Pininfarina a mais alta, com 294,1 metros.
O projeto arquitetônico, assinado por Jonas Birger, foi inspirado na icônica torre de vidro The Shard, localizada em Londres. A fachada do edifício é composta por painéis de vidro com desníveis sutis, alterando sua tonalidade conforme a luz do dia e as condições climáticas. O design visa humanizar a estrutura, combinando linhas retas e ângulos variados, além de integrar áreas verdes com canteiros que suportam plantas resistentes ao vento.
Para garantir a segurança e a estabilidade da torre, um estudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) analisou o impacto do vento, resultando em uma estrutura projetada para oscilar levemente, ao invés de ser completamente rígida. Com 39 andares e uma área total de 98,9 mil metros quadrados de escritórios classificados como AA, a torre se destaca na categoria mais alta de classificação imobiliária, segundo a consultoria JLL.
A Torre Alto das Nações é a peça central do Paseo Alto das Nações, um complexo que a WTorre está desenvolvendo em parceria com a Carrefour Property, na área onde funcionou a primeira loja da rede francesa no Brasil, inaugurada em 1975. O projeto inclui um hipermercado, lojas, restaurantes e uma torre de uso misto, com planos para um prédio residencial e um teatro, todos organizados em torno de uma praça fechada para veículos.
O conceito de “cidade de 15 minutos” é um dos principais focos do empreendimento, que visa integrar residências, escritórios, comércio e transporte em um espaço acessível. A estação Granja Julieta da linha 9-esmeralda da CPTM está estrategicamente localizada ao lado do complexo, alinhando-se às diretrizes do Plano Diretor de São Paulo, que promove o adensamento urbano próximo a transportes coletivos.
Para construir acima do limite básico do terreno, foram utilizados 61,3 mil Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), que representam um investimento de aproximadamente R$ 197 milhões em outorga onerosa, conforme a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento. Os recursos arrecadados são direcionados para melhorias em infraestrutura, mobilidade, drenagem, moradia popular e espaços públicos.
Atualmente, o complexo ainda está em fase de finalização. A secretaria municipal confirmou que o empreendimento recebeu três habite-se parciais em 2022, 2024 e 2026, totalizando 257 mil metros quadrados de área concluída, de um total de 317,4 mil metros quadrados licenciados. Novos certificados continuarão a ser emitidos até a conclusão da obra.
A inauguração da Torre Alto das Nações coincide com um momento de expansão significativa no mercado corporativo de São Paulo. No terceiro trimestre deste ano, a cidade registrou a entrega de 195 mil metros quadrados de escritórios de alto padrão, o maior volume desde 2017. A nova torre sozinha representa um aumento de 31,7% no estoque de escritórios de alto padrão na Chácara Santo Antônio.
Apesar do aumento na oferta, a taxa de vacância da cidade subiu para 14,1%, a primeira alta desde 2023. No entanto, a demanda continua forte, com nove trimestres consecutivos de contratos superiores a 10 mil metros quadrados, um recorde histórico. O preço médio do aluguel atingiu R$ 126 por metro quadrado ao mês, um aumento de 9,9% em relação ao ano anterior.
Yara Matsuyama, diretora de locações da JLL, observa que a volta ao escritório tem impulsionado esse crescimento. “O efeito das demandas represadas durante a pandemia foi percebido inicialmente, mas agora a necessidade de intensificação do presencial é o que realmente está impulsionando o mercado”, explica.
O desafio para a nova torre será ocupar o espaço, uma vez que a Chácara Santo Antônio apresenta uma taxa de vacância de 43,7% entre seus escritórios de alto padrão, uma das mais altas da cidade. A Altre, empresa do grupo Votorantim, adquiriu 60% da torre por cerca de R$ 1 bilhão e já iniciou a comercialização dos espaços, com a farmacêutica Bayer confirmando a locação de 15,6 mil metros quadrados.
Yara acredita que o endereço não representa um risco, pois um projeto desse porte não poderia ser realizado em áreas mais disputadas. “O Alto das Nações é um grande complexo, o que não seria viável em regiões onde há escassez de terrenos que permitam esse volume de construção”, afirma. Ela também descarta a possibilidade de excesso de oferta, já que 48% dos 309 mil metros quadrados de escritórios de alto padrão previstos para o mercado até 2029 já estão pré-locados. Quase metade desse volume deve ser entregue até 2026, com a região da Chucri Zaidan concentrando a maior parte, seguida pela avenida Juscelino Kubitschek.



