Post: Tarifa imposta pelos EUA gera impasse entre exportadores brasileiros

Tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros gera impasse em contratos de exportação, com árbitros discutindo responsabilidades.
Tarifa imposta pelos EUA gera impasse entre exportadores brasileiros

A recente tarifa imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros tem gerado confusão em contratos de exportação, levantando a questão de quem arcará com os custos adicionais. Sem diretrizes claras, a resolução desse impasse tem sido deixada a critério de árbitros internacionais, o que promete um aumento nas disputas comerciais.

Essa situação será debatida durante o congresso do CAM-CCBC (Centro de Arbitragem e Mediação da Câmara de Comércio Brasil-Canadá), programado para os dias 19 e 20 de outubro, no JW Marriott Hotel, em São Paulo. Segundo a câmara, a taxação americana revelou lacunas em contratos comerciais que não previam alterações tarifárias, elevando o risco de conflitos entre as empresas envolvidas na cadeia de exportação.

Um levantamento do CAM-CCBC indica que 39,3% dos 122 casos de arbitragem registrados no Brasil em 2025 envolveram pelo menos uma parte estrangeira, com os Estados Unidos representando 38,1% dos casos internacionais geridos pela instituição. A significativa participação dos EUA nos casos de arbitragem alimenta a expectativa de que mais conflitos contratuais busquem esse tipo de solução enquanto as tarifas estiverem em vigor.

Além disso, a pesquisa revela que 64,8% dos novos casos de arbitragem protocolados no ano passado envolveram múltiplas partes, um cenário comum nas cadeias de suprimento, onde os contratos abrangem fornecedores, distribuidores e compradores simultaneamente.

Desde julho, Trump acatou a recomendação do USTR (Escritório do Representante do Comércio dos EUA) para impor tarifas sobre produtos brasileiros. Desde então, as exportações do Brasil para os EUA — exceto uma lista de 2.100 produtos, incluindo carne, café e suco de laranja — estão sujeitas a uma tarifa de 25%. Em alguns casos, essa taxa é acrescida de um adicional de 12,5%, resultando em uma alíquota combinada de 37,5% para itens como alumínio, algodão e alguns produtos eletrônicos.

“O mais importante é ter uma cláusula de divisão de riscos bem definida. Em um cenário como o das tarifas americanas, isso pode fazer diferença na hora de uma disputa”, afirma Elias Marques de Medeiros Neto, professor e advogado especializado em direito contencioso. A situação atual destaca a necessidade de uma revisão nos contratos de exportação para evitar surpresas desagradáveis e garantir que as responsabilidades sejam claramente definidas.

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