Seis meses após o trágico ataque à escola Shajareh Tayebeh, em Minab, no sul do Irã, os pais das vítimas ainda enfrentam um luto interminável. O ataque, que deixou 155 mortos, incluindo 120 crianças, ocorreu nas primeiras horas dos bombardeios israelenses e americanos que desencadearam uma nova fase de conflito no Oriente Médio. Entre os que perderam seus filhos está Massoumeh Zakeri, que recorda com dor a última noite que passou com sua filha de nove anos, Motahareh. Ela descreve a menina como cheia de energia e sonhos, falando sobre as férias que se aproximavam e os casamentos que iria participar. Na manhã do ataque, Motahareh acordou antes dos pais e seguiu para a escola, mas não voltou. Zakeri recebeu a notícia do bombardeio e, com isso, a certeza de que nunca mais veria sua filha.
O local onde a escola estava situada se transformou em um memorial, cercado por retratos das vítimas e bandeiras iranianas. O prédio, em ruínas, é um lembrete constante da tragédia. As autoridades iranianas afirmam que o ataque foi realizado por mísseis americanos, embora nem a Casa Branca nem Israel tenham assumido a responsabilidade. Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional, também responsabilizam os EUA pelo bombardeio, enquanto uma investigação do New York Times sugere que o ataque foi resultado de um erro de mira.
Yaghoub Yazdanpanah, outro pai que perdeu a filha, Fatemeh, de seis anos, também recorda o dia fatídico. Ele estava a caminho da escola quando recebeu a notícia do ataque. A dor e a incredulidade tomaram conta dele, assim como de muitos outros pais que continuam a buscar respostas e a lidar com a perda insuportável de seus filhos. O luto é palpável na comunidade, que se une em um esforço para lembrar e honrar as vidas perdidas, enquanto as buscas por três crianças ainda desaparecidas continuam.
O impacto do ataque vai além da dor individual; ele reflete a fragilidade da vida em meio a um conflito que parece não ter fim. A memória das crianças se torna um símbolo da luta por paz e justiça em uma região marcada por guerras e tragédias. A preservação do local como um espaço de memória é uma tentativa das autoridades de garantir que as histórias dessas crianças não sejam esquecidas, mesmo diante da devastação.


