Ricardo Vicintin, aos 77 anos, está prestes a encerrar uma era à frente do Grupo Rima, uma das principais referências na produção de magnésio na América do Sul. Com um prazo de um ano e meio até sua aposentadoria, ele expressa confiança na capacidade de seu filho, Bruno Vicintin, de assumir os negócios familiares. Bruno, que já é proprietário do Santa Clara, um clube de futebol na primeira divisão de Portugal, é visto pelo pai como a figura ideal para dar continuidade ao legado da empresa.
O Grupo Rima, que se destaca na produção de ligas à base de silício e é o único fabricante de magnésio primário no hemisfério sul, tem se expandido significativamente. Com seis unidades fabris em Minas Gerais e uma no Mississippi, nos Estados Unidos, a empresa atende cerca de 500 clientes ao redor do mundo. Recentemente, a Rima firmou um contrato de R$ 1 bilhão com a Casa dos Ventos e planeja a construção de uma nova fábrica, reforçando seu compromisso com o crescimento e inovação no setor.
Vicintin destaca que a Rima não apenas se tornou um líder de mercado, mas também um exemplo de sustentabilidade. A empresa foi reconhecida pela International Magnesium Association como o único produtor verde de magnésio no planeta, em contraste com a China, que utiliza carvão mineral em sua produção. Essa abordagem mais sustentável é parte da filosofia de negócios da família, que também se reflete na Fundação Vicintin, que mantém a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) privada do Brasil, com 16 mil hectares dedicados à preservação ambiental.
A história do magnésio na Rima começou com uma demanda específica da Volkswagen, que precisava de 12 mil toneladas do metal para a fabricação de seus clássicos Fusca e Kombi. Desde então, a empresa não apenas atendeu a essa demanda, mas também se tornou o maior consumidor de terras raras no Brasil, importando cerca de 40 toneladas mensais, principalmente de cério e lantânio.
Com a aposentadoria de Ricardo Vicintin se aproximando, o futuro do Grupo Rima parece promissor sob a liderança de Bruno. O pai expressa confiança em seu filho, que, apesar de sua paixão pelo esporte, está preparado para assumir as rédeas da empresa familiar. Ricardo, que passou a maior parte de sua vida em Belo Horizonte, reflete sobre sua trajetória e o impacto que a Rima teve no mercado de magnésio e na preservação ambiental, deixando um legado que, espera, será continuado por Bruno.




