Post: Estudo aponta que reduzir emissões de metano na pecuária depende de produtividade e bem-estar animal

Estudo da CPI/PUC-Rio revela que produtividade e bem-estar animal são essenciais para reduzir emissões de metano na pecuária.
Estudo aponta que reduzir emissões de metano na pecuária depende de produtividade e bem-estar animal

A redução das emissões de metano na pecuária brasileira é um desafio que exige foco em produtividade e bem-estar animal. Essa é a conclusão de um estudo da Iniciativa de Política Climática da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CPI/PUC-Rio), divulgado nesta terça-feira (9). A pesquisa apresenta soluções concretas para que o setor diminua sua contribuição às mudanças climáticas, destacando que é possível produzir mais carne com menor impacto ambiental.

Em 2024, a digestão do gado foi responsável por 75% das emissões brasileiras de metano, totalizando 15,7 milhões de toneladas geradas pela fermentação entérica, o famoso arroto do boi. “A pecuária brasileira não deve ser vista apenas como parte do problema climático. Dada a magnitude de sua contribuição, o setor deve ser central na solução”, afirmam os autores do estudo.

A rápida redução das emissões de metano é considerada uma estratégia eficaz para combater o aumento das temperaturas globais. Um único gás de metano tem um potencial de aquecimento equivalente a 30 moléculas de CO2 (dióxido de carbono), em média. Além disso, o metano permanece na atmosfera por cerca de dez anos, enquanto o CO2 pode durar até um século.

Juliano Assunção, diretor-executivo da CPI/PUC-Rio, sugere que o debate sobre a poluição gerada pela agropecuária poderia avançar se fosse abordado sob a perspectiva da lucratividade, sem necessariamente recorrer à linguagem das mudanças climáticas. “O foco deve ser o aumento da produtividade”, afirma. “Se abordarmos a questão da produtividade, a redução das emissões de metano será um subproduto desse esforço.”

Embora a biologia do gado não mude, os fazendeiros podem adotar diversas medidas para intensificar a produção pecuária sem expandir a fronteira agrícola. Isso possibilitaria uma maior produção de carne e ganhos econômicos, ao mesmo tempo em que reduziria as emissões de metano por animal.

Os pesquisadores destacam uma conexão direta entre a pecuária extensiva de baixa produtividade e o desmatamento. Na Amazônia, a criação de rebanhos pequenos em grandes áreas é frequentemente utilizada para consolidar a posse da terra, muitas vezes através da abertura de áreas anteriormente cobertas por vegetação nativa. “Atualmente, vemos a exploração de algumas áreas até a exaustão, e depois a migração para novas áreas, que ficam degradadas. Com incentivos de políticas públicas para romper essa lógica e promover a produtividade, a agenda do metano avança”, explica Assunção.

O estudo conclui que não é necessário cortar a produção de carne para reduzir as emissões de metano, mas sim melhorar a eficiência da pecuária, promovendo práticas que garantam o bem-estar animal e a sustentabilidade do setor. Essa abordagem não apenas ajudaria a mitigar os impactos ambientais, mas também poderia resultar em uma agropecuária mais lucrativa e responsável.

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