Post: Rastreamento revela esquema milionário de narcotráfico envolvendo ex-policial e traficante belga

Rastreamento revela esquema milionário de narcotráfico envolvendo ex-policial e traficante belga, com apreensões e prisões em várias operações.
Rastreamento revela esquema milionário de narcotráfico envolvendo ex-policial e traficante belga

A quebra da criptografia de dispositivos utilizados por membros de um esquema liderado pelo ex-major da Polícia Militar, Sergio Roberto de Carvalho, revelou uma sociedade milionária com o traficante belga Flor Bressers, conhecido como “Corta Dedos”. De acordo com investigações, Bressers teria pago 99 milhões de euros ao brasileiro em um período de dez meses, em troca de metade de um carregamento de cocaína importado da Bélgica.

As autoridades europeias descobriram que uma empresa de fachada, utilizada para esconder a droga em minério de manganês, estava ligada a apelidos usados por Carvalho e Bressers na rede de comunicação. Em abril de 2020, a polícia holandesa apreendeu 3,2 toneladas de cocaína destinadas a uma empresa de dessalinização de água do mar na Bélgica, que estavam escondidas em contêineres no porto de Roterdã, vindo do Brasil.

A empresa Kriva-Rochem, localizada na Antuérpia e registrada em nome de um “laranja” octogenário, importou grandes quantidades de cocaína desde 2019. Durante uma operação em locais associados à quadrilha, foram encontrados diversos celulares criptografados e embalagens com números de IMEI, revelando a conexão entre o ex-major e a investigação belga, que se entrelaça com a operação Enterprise, considerada uma das maiores investigações da Europol, resultando na prisão de mais de 6,5 mil pessoas e na apreensão de 30,5 milhões de comprimidos de drogas, 103,5 toneladas de cocaína, entre outros itens.

Atualmente, Sergio Roberto de Carvalho, conhecido como “Pablo Escobar brasileiro”, está em julgamento na Bélgica, com a próxima audiência marcada para 7 de setembro. A Gazeta do Povo tentou contato com os advogados do ex-major no Brasil, mas sem sucesso. Na Bélgica, seus defensores alegam sua inocência.

A operação EncroChat, que paralisou a Europa em junho de 2020, revelou que o sistema de comunicação criptografada era utilizado por cerca de 60 mil usuários, a maioria envolvida em atividades criminosas, como tráfico de drogas e armas. Os aparelhos, vendidos por 1 mil euros, eram equipados com uma criptografia inquebrável, dificultando a ação das autoridades.

Após a descoberta de uma brecha na segurança do sistema, a polícia francesa conseguiu invadir os servidores da EncroChat, resultando em uma operação que culminou na prisão de mais de 700 pessoas. O proprietário do serviço foi preso na República Dominicana e extraditado para a França, onde enfrenta acusações de formação de quadrilha e tráfico internacional de drogas.

As investigações na Bélgica revelaram que a empresa de fachada e as toneladas de cocaína apreendidas estavam ligadas diretamente a Bressers e Carvalho. O juiz investigador Johan Desseyn destacou que Bressers utilizava apelidos como “Ricklong” e “Bongoking” para se comunicar com seus comparsas, e que Carvalho liderava uma organização sul-americana responsável pela administração e envio de cocaína para a Europa, disfarçada em contêineres de minério de manganês.

O caso continua a se desdobrar, com novas revelações sobre as conexões entre o narcotráfico na América do Sul e a Europa, colocando em evidência a complexidade das operações criminosas e a luta das autoridades para desmantelar essas redes.

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