Post: Proposta do setor aéreo de semana de seis dias gera descontentamento entre aeroviários

Proposta do setor aéreo para semana de seis dias gera descontentamento entre aeroviários, que defendem a manutenção da escala 5x2.
Proposta do setor aéreo de semana de seis dias gera descontentamento entre aeroviários

A proposta inicial apresentada pelas empresas do setor aéreo para o novo acordo coletivo, que visa definir os expedientes dos aeroviários, não agradou aos representantes da categoria. O principal ponto de discórdia gira em torno das folgas previstas na emenda constitucional que alterou as regras de jornada dos trabalhadores brasileiros, estabelecendo o fim da escala 6×1. O Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA) informou que a proposta patronal sugere a possibilidade de semanas com até seis dias consecutivos de trabalho, desde que a média mensal mantenha duas folgas por semana. Isso significa que, em algumas semanas, os trabalhadores poderiam ter apenas um dia de descanso, compensando a folga em outra semana do mês. “Todos os sindicatos estão dispostos a negociar, mas mantendo alguns parâmetros mínimos. A 5×2 não tem negociação. Foi uma luta dos trabalhadores; abrir mão de cumprir a escala 5×2 não faz sentido”, afirma Álvaro Quintão, advogado do SNA.

As principais companhias aéreas, como Azul, Gol e Latam, optaram por não comentar a proposta. A Latam, por sua vez, indicou que se manifestará por meio do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA). A Folha tentou contato com o SNEA, mas não obteve resposta até o momento.

A próxima reunião entre as partes está agendada para o dia 12 de novembro, e a data-base do acordo é 1º de dezembro. Na última negociação, em 2025, um impasse resultou em um dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST), com o acordo homologado apenas em fevereiro deste ano. O acordo anterior determinou que a duração máxima do trabalho do aeroviário deveria ser de 42 horas semanais, e as empresas deveriam se esforçar para que os aeroviários em regime de escala de revezamento trabalhassem em um modelo 5×1, onde trabalham cinco dias e folgam um.

O desafio atual é garantir as duas folgas na semana, conforme destaca Quintão. A proposta discutida nesta campanha salarial inclui a troca do limite de seis horas diárias por 36 horas semanais, com dias de até oito horas e sem hora extra a partir da sexta hora de trabalho. Isso pode resultar em jornadas que ultrapassam nove horas, somando o tempo de intervalo, segundo o SNA. Com a pressão para manter as condições de trabalho, a expectativa é que as negociações avancem, mas o cenário ainda é de incerteza para os aeroviários. O descontentamento com a proposta inicial reflete a luta contínua da categoria por melhores condições de trabalho e respeito às conquistas já alcançadas.

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