Post: Produtores de salmão adotam derivados de frango na alimentação dos peixes

Produtores de salmão na Europa começam a usar derivados de frango na ração, buscando alternativas mais baratas e sustentáveis.
Produtores de salmão adotam derivados de frango na alimentação dos peixes

As principais empresas de produção de salmão na Europa estão mudando suas práticas alimentares ao incluir derivados de frango na ração dos peixes, uma decisão que marca uma ruptura com tradições de longa data. A mudança ocorre em meio ao aumento dos preços da farinha de peixe, que quase dobrou nos últimos dois anos devido à redução dos estoques pesqueiros e à crescente demanda, especialmente da China. Esse cenário levou os criadores a buscar fontes de proteína mais acessíveis e sustentáveis.

A Lerøy Seafood Group, uma das maiores produtoras de salmão da Noruega e fornecedora da rede britânica Tesco, confirmou que começou a utilizar subprodutos de frango em todas as suas fazendas de salmão em alto-mar. A Mowi, a maior produtora de salmão do mundo, também está planejando introduzir ração à base de aves em suas operações na Noruega e na Escócia. Essa mudança é vista como uma resposta à necessidade de reduzir custos e emissões de carbono, embora ainda exista um certo ceticismo entre os consumidores sobre a utilização de ingredientes de origem animal na alimentação dos peixes.

Historicamente, o uso de subprodutos de animais na ração para peixes foi proibido no Reino Unido até 2013, devido a preocupações com a disseminação de doenças como a encefalopatia espongiforme bovina, popularmente conhecida como doença da vaca louca. No entanto, a pressão econômica e a necessidade de alternativas sustentáveis têm levado os produtores a reconsiderar essa abordagem. O preço da farinha de peixe, que é tradicionalmente produzida a partir de peixes selvagens, tornou-se um fator crítico na decisão de mudar para a farinha de aves, que é significativamente mais barata.

“Os salmões são carnívoros e, na natureza, consomem outros peixes. Portanto, alimentá-los com frango é perfeitamente natural”, afirmou um executivo de uma grande fabricante de ração para salmões. Essa perspectiva está começando a ganhar aceitação no mercado, embora a Grieg Seafood tenha introduzido farinha e óleo de frango em suas operações apenas recentemente, em julho deste ano.

O uso de subprodutos de frango na alimentação de salmões também levanta questões sobre a transparência e a rotulagem dos produtos. Embora a Lerøy utilize frango proveniente do Reino Unido, o que significa que subprodutos de granjas britânicas são enviados para a Noruega para processamento, os consumidores podem não estar cientes de que o salmão que compram foi alimentado com derivados de frango. Supermercados como Tesco e Waitrose, que anteriormente proibiram o uso de farinha e óleo de aves na ração para peixes, ainda não se pronunciaram sobre possíveis mudanças em suas políticas.

Jim Bligh, diretor de políticas alimentares do British Retail Consortium, destacou que os varejistas estão trabalhando em estreita colaboração com seus fornecedores para garantir rações mais sustentáveis, levando em conta o impacto ambiental dos ingredientes. A crescente demanda por proteínas alternativas, intensificada por fatores como o fenômeno El Niño, que afetou a pesca de anchovas no Peru, também está impulsionando essa mudança na indústria.

Por outro lado, a mudança na alimentação dos salmões pode beneficiar a indústria de frango no Reino Unido. Alistair Collins, diretor da processadora de subprodutos animais JG Pears, mencionou que a demanda crescente dos criadores de salmão está elevando o valor dos restos de frango, tornando a aquicultura um mercado importante para esse tipo de produto. No entanto, a aceitação do público ainda é uma questão delicada, com muitos consumidores expressando preocupações sobre o bem-estar animal e a sustentabilidade.

A introdução de ração à base de frango na alimentação dos salmões representa uma mudança significativa na indústria, que pode ter implicações tanto para os produtores quanto para os consumidores. O futuro dessa prática dependerá da capacidade das empresas de comunicar de forma transparente as mudanças e de atender às expectativas dos consumidores em relação à qualidade e à sustentabilidade dos produtos que chegam às prateleiras dos supermercados.

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