Uma megaoperação realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) resultou na desarticulação de um esquema complexo de furto, roubo, receptação e venda ilegal de celulares na região central da capital paulista. A Operação Frankmobile, deflagrada na quinta-feira (10/9), envolveu cerca de 1,7 mil agentes que cumpriram mandados de busca e apreensão após dois anos de investigações sobre o chamado “ciclo ilícito do aparelho celular”. A Justiça autorizou a execução de 84 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão temporária nos estados de São Paulo e Goiás, além de medidas para sequestrar e bloquear bens e valores que ultrapassam R$ 5 milhões. O MPSP destacou que os criminosos operavam de forma organizada, obtendo lucro em cada etapa do processo, desde o furto até a revenda dos aparelhos. De acordo com as investigações, o esquema é composto por pelo menos quatro núcleos. O primeiro é formado por criminosos que furtam ou roubam celulares nas ruas, especialmente na região central de São Paulo. Entre eles, há integrantes da chamada “gangue do quebra vidros”, que atua em veículos parados em congestionamentos e durante grandes eventos, como a Parada do Orgulho LGBT+ e a Virada Cultural. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelou que, no ano passado, a cidade de São Paulo registrou 154 mil celulares roubados ou furtados, o que representa uma média de 17 aparelhos a cada hora. Além disso, o estado e a capital concentram cerca de 20% de todos os roubos e furtos de celulares do Brasil, que totalizaram 830 mil ocorrências em 2025. Apenas 10 mil aparelhos foram devolvidos aos seus proprietários na capital paulista. Após o furto, os celulares são enviados ao segundo núcleo, que é responsável por desbloqueá-los e obter dados pessoais das vítimas, além de transferir valores de contas bancárias para contas de terceiros. Em seguida, um terceiro grupo prepara os aparelhos para a revenda, alterando o IMEI, que é a identificação do equipamento, e removendo bloqueios técnicos. Essa adulteração permite que os celulares sejam vendidos sem vínculo aparente com os crimes anteriores, dificultando a rastreabilidade. Os locais de comercialização identificados nas investigações incluem lojas na Rua 25 de Março, um conhecido centro de comércio popular em São Paulo. O quarto núcleo do esquema desmonta os celulares e vende as peças separadamente, aumentando assim o lucro da atividade ilegal. As investigações também revelaram que a maioria das empresas envolvidas está localizada no centro de São Paulo e muitas não possuem regularidade formal. O MPSP identificou movimentações financeiras que não condizem com o porte de algumas dessas empresas. Para reforçar a ação, a Polícia Penal utilizou cães especializados na detecção de elementos químicos presentes em aparelhos eletrônicos nos endereços identificados como “ninhos” de celulares roubados e furtados.



