Post: Oeste do Paraná se prepara para ser referência global em inovação de proteínas

Oeste do Paraná visa ser referência global em inovação de proteínas com o plano Ambição Regional 2040.
Imagem gerada com IA

A região oeste do Paraná, que já almejava ser a maior produtora de proteína animal do mundo em duas décadas, agora se propõe um novo desafio: tornar-se líder global em conhecimento e tecnologia aplicada às proteínas em um prazo de 14 anos. Essa iniciativa, chamada “Ambição Regional 2040”, visa transformar a produção local de grãos em proteína de alta qualidade, não apenas para o mercado interno, mas também para os 150 países que recebem suas exportações.

O plano se concentra em aumentar a produtividade através da integração de alta tecnologia, inovação e práticas sustentáveis, alinhadas à agenda ESG (ambiental, social e de governança). O manifesto que embasa essa estratégia foi elaborado pelo Programa Oeste em Desenvolvimento (POD) e diversas entidades parceiras, com o intuito de fortalecer a cadeia produtiva e o desenvolvimento regional. Alci Rotta Junior, presidente do POD, destaca que “não é um plano de metas, mas uma estratégia para transformar a vocação produtiva do território em uma referência mundial de inteligência e inovação”.

A região já se destaca como um dos principais polos emergentes de inovação do Brasil. Segundo o Mapa da Inovação do governo do Paraná, o número de startups na área cresceu de 117, em 2021, para 200 até o final de 2025, muitas delas focadas em soluções tecnológicas para a cadeia produtiva de alimentos. Além disso, os parques tecnológicos aumentaram de cinco para pelo menos dez, e as aceleradoras de negócios inovadores passaram de duas para cinco, proporcionando um ambiente propício para o desenvolvimento de novas ideias e tecnologias.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos, enfatiza que a região está se transformando de uma mera potência agroindustrial para um território estratégico de inovação. Com mais de 2,5 mil indústrias, sendo 725 no setor de alimentos, a região responde por três em cada dez empregos formais diretos, e esse número pode chegar a seis em cada dez se contarmos os empregos indiretos.

Vasconcelos ressalta a importância de agregar valor à produção, como a transformação do leite em whey protein, mesmo diante dos desafios logísticos enfrentados pela região. A indústria de alimentos na área movimenta mais de R$ 70 bilhões por ano, de um total de cerca de R$ 160 bilhões registrados em todo o Paraná, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos e Bebidas (Abia).

Inspirada em modelos de sucesso, como os polos de desenvolvimento dos Estados Unidos e de Israel, a estratégia da região é utilizar sua autoridade reconhecida no setor para atrair ciência aplicada e alcançar novos padrões de sanidade e inovação tecnológica. O “Vale do Sítio”, uma alusão ao Vale do Silício, é um exemplo de como a tecnologia pode transformar a vida dos produtores locais. Leonel Defante, um produtor de frangos, automatizou seu sistema de criação, permitindo uma gestão mais eficiente e tranquila da produção.

O plano “Ambição Regional 2040” está estruturado em três fases interdependentes, que visam criar bases institucionais e tecnológicas robustas. Um dos marcos dessa iniciativa é a ativação de um laboratório de dados (DataLab), que integrará educação de qualidade desde a infância, promovendo a pedagogia da inovação nas escolas. Além disso, um fundo regional foi criado para apoiar a mobilização em direção à liderança global em conhecimento e tecnologia aplicada à produção de proteínas.

A fase inicial do plano também prevê a atração de empresas e indústrias de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) focadas na cadeia de proteínas, além de buscar posições de destaque em rankings e certificações globais. O objetivo final é estabelecer um ecossistema de proteínas integrado, sustentável e competitivo em escala mundial, abrangendo todas as etapas da produção, desde o plantio até a mesa do consumidor.

Graças aos esforços do setor produtivo e das indústrias da transformação, o Paraná se tornou, em 2021, um estado livre de aftosa e sem vacinação, abrindo novos mercados antes inacessíveis. A governança multissetorial implementada na região visa garantir que todos os setores cresçam juntos, promovendo um desenvolvimento equilibrado e sustentável. Com essa visão, o oeste do Paraná se posiciona como um modelo de inovação e produtividade no cenário global.

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