Post: Rota da cerveja impulsiona turismo em São Paulo com mais de 100 produtores

A Rota da Cerveja em São Paulo reúne 107 cervejarias, impulsionando o turismo e a economia local com experiências únicas.
Rota da cerveja impulsiona turismo em São Paulo com mais de 100 produtores

O estado de São Paulo está transformando sua rica tradição cervejeira em um atrativo turístico inovador. A Rota da Cerveja, que agora inclui 107 cervejarias artesanais distribuídas em sete circuitos, se junta a outras rotas que celebram o vinho, o café, o queijo e a cachaça da região. A secretária estadual de Turismo e Viagens, Ana Biselli, destaca que “as Rotas da Cerveja passam a integrar as Rotas de São Paulo, fortalecendo uma estratégia que valoriza as vocações de cada região e cria motivos para viajar pelo estado”.

Em um cenário onde o estado lidera o ranking nacional de cervejarias registradas, com 452 estabelecimentos em 2025, a Rota da Cerveja surge como uma oportunidade para impulsionar o turismo e a economia local. Bruno Cardoso, biólogo e fundador da Cervejaria Landel, uma das mais antigas em atividade em Campinas, é uma das figuras centrais desse movimento. Ele começou sua jornada em 2013 e hoje produz 40 mil litros de cerveja anualmente, utilizando cevada de fornecedores nacionais e internacionais. “O universo da cerveja é um negócio que precisa de novidades constantes, mantendo padrões de qualidade”, afirma Cardoso, que também preside a Associação Polo Cervejeiro da Região Metropolitana de Campinas.

O setor cervejeiro está passando por uma transformação nos hábitos de consumo, com um crescente interesse por cervejas sem álcool e produtos autorais de pequenos lotes. Isso reflete uma mudança no perfil do consumidor, que busca experiências únicas e diferenciadas, algo que a Rota da Cerveja se propõe a oferecer. A interação entre cervejarias, fornecedores e eventos locais cria um ciclo econômico robusto. Segundo Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), cada emprego gerado em uma cervejaria pode criar até 34 empregos na cadeia produtiva, evidenciando a importância do setor para as comunidades locais.

O Sudeste do Brasil continua sendo o motor da produção nacional de cerveja, representando 52,1% do total, com 923 cervejarias. Apesar de um crescimento modesto no número de novas fábricas, a profissionalização e a diversificação de produtos são vistas como essenciais para o futuro do setor. Tarantino enfatiza a necessidade de um plano de negócios sólido para novos empreendedores, considerando fatores como investimento inicial, capital de giro e posicionamento no mercado.

Enquanto isso, as cervejarias brasileiras estão se destacando no cenário internacional. Embora o volume de exportação tenha diminuído em 2025, a receita aumentou, refletindo um preço médio mais elevado por litro. A Abracerva está trabalhando em um programa de exportação que visa promover produtos com identidade brasileira, como frutas e madeiras nativas.

O crescimento do setor, no entanto, enfrenta desafios, como a alta carga tributária e a falta de mão de obra qualificada. A legislação atual não diferencia as pequenas cervejarias das grandes indústrias, o que pode dificultar a identificação da produção e do faturamento de cada uma. Tarantino alerta que essa falta de diferenciação pode prejudicar a competitividade das cervejarias artesanais.

Além disso, a demanda por cervejas sem glúten está em ascensão, com a produção nacional saltando de 71,1 milhões de litros em 2024 para 367,9 milhões em 2025. O Brasil se mantém como o terceiro maior produtor e consumidor mundial de cerveja, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

Com a criatividade brasileira sendo reconhecida em competições internacionais, o futuro da cerveja artesanal no Brasil parece promissor. As iniciativas como a Rota da Cerveja não apenas celebram a cultura cervejeira, mas também promovem um ecossistema sustentável e inovador, essencial para o crescimento contínuo do setor.

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