Everaldo Marques, um nome que se destaca na elite dos narradores esportivos brasileiros, é a prova de que determinação e talento podem superar barreiras sociais. Filho de uma empregada doméstica, ele enfrentou inúmeras dificuldades para chegar ao topo de sua carreira. Agora, aos 47 anos, ele se prepara para narrar as partidas da seleção brasileira na Copa do Mundo, um feito que o coloca entre os grandes nomes da televisão brasileira.
A trajetória de Everaldo começou em 1996, quando ele ainda estava no último ano do ensino médio. Determinado a se tornar narrador, ele soube de um curso de jornalismo esportivo ministrado pelo comentarista Flavio Prado. Contudo, a família não tinha condições financeiras para arcar com os custos. Foi então que sua mãe, com coragem e sacrifício, pediu um empréstimo a uma patroa para que o filho pudesse realizar seu sonho. Essa decisão marcou o início de uma jornada repleta de desafios.
Três décadas depois, Everaldo alcança um marco significativo em sua carreira. Ele será apenas o quinto narrador a transmitir jogos do Brasil em uma Copa do Mundo pela TV Globo. Embora a emissora não tenha mais a exclusividade que possuía em anos anteriores, ainda mantém uma audiência considerável. Everaldo reflete sobre a importância desse momento: “Não existe nada que traga mais visibilidade para um narrador”.
Antes de sua estreia na Globo, apenas quatro locutores ocuparam esse espaço icônico. Desde 1970, quando a emissora começou a transmitir o Mundial, nomes como Geraldo José de Almeida, Luciano do Valle e Osmar Santos deixaram sua marca. Galvão Bueno, que narrou de 1990 a 2022, é lembrado como o mais longevo nesse papel.
Everaldo fará sua estreia na Copa neste sábado, às 19h, na partida contra Marrocos, e também estará presente em outros jogos da seleção, incluindo um confronto entre França e Senegal. O anúncio de sua nova função deveria ser motivo de celebração, mas a realidade foi um misto de emoções. No início de abril, ele recebeu a notícia de que seu amigo e colega Luís Roberto, principal narrador da Globo, foi diagnosticado com uma neoplasia, o que o impediria de participar da Copa. Essa situação trouxe uma carga emocional significativa para Everaldo, que, ao ser escolhido para o cargo, levou um tempo para assimilar a responsabilidade que agora recai sobre seus ombros.
“A ficha só começou a cair no dia da convocação da seleção”, revela. Hoje, ele ocupa as cabines dos grandes estádios da Copa, um contraste marcante com sua infância, quando sonhava em narrar jogos enquanto assistia pela televisão. A história de Everaldo Marques é um testemunho de perseverança e dedicação, mostrando que, com esforço e paixão, é possível realizar sonhos, independentemente das circunstâncias.
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