Post: Nova porta-voz de Trump admite ter atuado como advogada sem licença

Katie Zacharia, nova porta-voz de Trump, admite ter atuado como advogada sem licença, levantando questões sobre suas credenciais.
Nova porta-voz de Trump admite ter atuado como advogada sem licença

A nova secretária de imprensa da Casa Branca, Katie Zacharia, gerou polêmica ao afirmar que atuou como advogada, mesmo sem estar licenciada. Em sua primeira aparição na quarta-feira (15), Zacharia, que assumiu o cargo na segunda-feira (12), declarou ter exercido a advocacia na área de transações internacionais. No entanto, investigações da Reuters revelaram que não há registros que comprovem sua inscrição como advogada em qualquer estado dos Estados Unidos ou no distrito de Colúmbia.

A questão das credenciais de Zacharia surge em um momento crítico, a apenas três semanas das eleições de meio de mandato, quando o presidente Donald Trump busca fortalecer sua imagem e a de seus correligionários republicanos no Congresso. Segundo seu perfil no LinkedIn, ela trabalhou como advogada associada no escritório Zhong Lun Law Firm, em Pequim, de 2011 a 2013, e foi consultora jurídica geral da Fix California, um grupo de advocacy fundado por Ric Grenell, aliado de Trump.

Grenell, em mensagem à Reuters, descreveu Zacharia como uma assessora sênior que desempenhava diversas funções, incluindo a coordenação de advogados externos. Apesar disso, o escritório Zhong Lun não respondeu aos pedidos de comentário, e a Casa Branca não se manifestou sobre a formação acadêmica ou as credenciais jurídicas de Zacharia.

Em uma declaração enviada por email, Zacharia afirmou ter atuado na área de transações internacionais, alegando possuir todas as credenciais necessárias. Formada em Direito pela Universidade Pepperdine em 2011, ela não conseguiu passar no exame da ordem da Califórnia, conforme reportou o Wall Street Journal. Questionada sobre sua experiência no exame, Zacharia mencionou que estava na China, onde a prática da advocacia é restrita a cidadãos chineses.

Em conversa com o The New York Times, Zacharia atribuiu a confusão a um mal-entendido, explicando que não ouviu corretamente a pergunta devido ao barulho do Marine One, o helicóptero presidencial. Ela ressaltou que era seu segundo dia no cargo e que a questão sobre sua formação foi mal interpretada.

Para especialistas em ética jurídica, a situação levanta preocupações sobre a confiança pública. Renee Knake Jefferson, professora de Direito da Universidade de Houston, destacou que o público tem o direito de saber se as autoridades estão exercendo funções para as quais estão qualificadas. Embora não seja necessário ser advogado para ser porta-voz da Casa Branca, a transparência nas credenciais é fundamental.

Trump contratou Zacharia em resposta a preocupações sobre a cobertura da imprensa, buscando uma porta-voz que pudesse destacar suas realizações. Sua chegada ao cargo, tão próxima das eleições, surpreendeu alguns funcionários da Casa Branca. Na sua primeira coletiva, Zacharia respondeu a perguntas de três jornalistas e encerrou o evento em menos de 15 minutos, o que gerou críticas entre comentaristas e analistas políticos. Apesar disso, Trump elogiou seu desempenho, afirmando que ela se saiu muito bem.

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