O indicado para liderar a embaixada dos Estados Unidos em Brasília, Daniel Perez, declarou em entrevista ao canal Local 10, da Flórida, que não se envolverá nas eleições brasileiras. Em suas palavras, ele ressaltou que a decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente aos brasileiros. “Não haverá nenhum envolvimento da minha parte em relação à eleição no Brasil. Isso é algo para os brasileiros decidirem. Eles têm um processo eleitoral pelo qual têm que passar em outubro, e qualquer um que sair vitorioso do outro lado eu acho que será o líder do Brasil e será com quem eu vou trabalhar”, afirmou Perez.
A nomeação de Perez, já aprovada pelo Senado americano, aguarda o agrément do governo Lula. O indicado expressou sua intenção de “avançar em um caminho positivo” nas negociações entre os dois países. Ele reconheceu que atualmente existe um impasse nas relações Brasil-EUA, destacando a importância do Brasil como um parceiro comercial significativo na América do Sul. “Assim que eu chegar lá, espero que possamos superar essas lacunas”, disse ele.
A nomeação de Perez também reflete a tensão entre Donald Trump e Lula, especialmente após a revogação do visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiz Viotti, em resposta à suposta demora do Itamaraty em conceder o agrément. O governo brasileiro argumenta que a Casa Branca não seguiu a praxe diplomática ao anunciar o nomeado antes de consultas sobre sua indicação.
Durante sua sabatina no Senado americano, Perez enfatizou a necessidade de garantir eleições livres e justas no Brasil, afirmando que um Brasil democrático é um parceiro mais forte para os EUA. Ele destacou que as eleições são pilares fundamentais da democracia, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
Nascido em Nova York e filho de imigrantes cubanos, Perez se mudou para a Flórida em 1993. Ele foi eleito para a Assembleia Legislativa do estado em 2017, mas não possui experiência anterior em cargos relacionados à política externa. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, também é da Flórida e filho de imigrantes cubanos, o que pode indicar uma conexão entre suas trajetórias políticas.



