O atacante Kylian Mbappé, o Real Madrid e a LaLiga espanhola estão enfrentando um longo caminho para reparar suas imagens na China após um incidente polêmico envolvendo o jogador. Recentemente, um vídeo em que Mbappé parece zombar de Mao Tsé-Tung, líder histórico da China, gerou uma onda de críticas e consequências severas para sua reputação e a de seus associados.
Na gravação, o capitão da seleção francesa menciona que um meme que considera engraçado mostra seu rosto sobreposto ao de um “ditador chinês”, referindo-se a Mao. Apesar de sua importância histórica, Mao é uma figura venerada na China, e zombar dele é considerado um tabu. As reações foram rápidas e intensas, com marcas chinesas rompendo contratos com o jogador e a emissora estatal CCTV suspendendo a transmissão de partidas da LaLiga.
A mídia estatal e os usuários das redes sociais criticaram Mbappé, embora muitos evitassem citar diretamente suas palavras. O impacto desse escândalo é significativo, pois a China representa a segunda maior economia do mundo, oferecendo vastas oportunidades comerciais. Em resposta, tanto Mbappé quanto o Real Madrid e a LaLiga emitiram pedidos de desculpas em um esforço para mitigar os danos.
Yan Qiang, comentarista esportivo, avaliou que o incidente é prejudicial e que o pedido de desculpas, embora importante, não encerra a questão. “Na era da internet, as emoções se intensificam rapidamente, e um pedido de desculpas não significa necessariamente o fim da história”, disse ele. O comentarista destacou que a imagem da LaLiga e do Real Madrid na China pode sofrer danos graves devido a esse episódio.
A situação de Mbappé não é única. Outros atletas e ligas esportivas já enfrentaram problemas semelhantes por comentários sobre temas sensíveis na China. Um exemplo notório é o caso da NBA, que viu suas relações com o país se deteriorarem após um tweet de apoio aos manifestantes de Hong Kong em 2019. A liga americana foi retirada da programação da CCTV por mais de um ano, demonstrando a severidade das repercussões.
Debby Chan, professora da Universidade Nacional da Austrália, observou que o caso de Mbappé exemplifica o nacionalismo de consumo na China, onde a opinião pública nas redes sociais e a mídia estatal se unem em uma “espiral de indignação”. A LaLiga, que depende fortemente dos direitos de transmissão internacionais, com a China e os EUA representando uma parte significativa de sua receita, pode enfrentar consequências financeiras substanciais.
Fontes próximas ao Real Madrid indicam que o clube vende entre 10% e 15% de seus produtos licenciados na China, e conta com empresas chinesas como patrocinadoras. Adam Zhang, especialista em consultoria esportiva, enfatizou a importância de um arrependimento rápido e sincero, afirmando que isso influenciará a duração da proibição das transmissões.
O futuro da reputação de Mbappé na China é incerto. Apesar de sua influência significativa, como evidenciado por suas campanhas publicitárias durante a Copa do Mundo, a manutenção dessa imagem dependerá de suas ações e comportamentos futuros. O comentarista Yan expressou ceticismo sobre a possibilidade de recuperação no curto prazo, destacando que a situação é complexa e difícil de prever. “Se quiserem reparar sua imagem, suas ações e comportamento serão fundamentais”, concluiu.



