Neste sábado (24), Brasília foi palco de duas grandes manifestações que reuniram apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República. A apenas dois quilômetros de distância, as multidões se concentraram em pontos estratégicos da cidade, com provocações e interações entre os grupos, que se encontraram nas ruas. Apesar das tensões, a palavra ‘democracia’ ecoou em ambos os lados, refletindo um desejo comum de respeito ao processo eleitoral.
Os simpatizantes de Lula se reuniram nas imediações do Museu Nacional, enquanto os apoiadores de Flávio Bolsonaro se concentraram na Torre de TV. Ambos os locais estavam repletos de trios elétricos, que animavam as multidões com jingles de campanha e o Hino Nacional. A arquiteta Hanna Brandini, de 33 anos, vestindo uma camisa vermelha com a imagem de Lula, comentou sobre a atmosfera da manifestação, destacando que era sua primeira grande participação em um evento desse tipo. “Entendo que foi uma campanha marcada por muita desinformação. Os desentendimentos podem ser apenas momentâneos”, afirmou.
Enquanto isso, Leonardo*, um bacharel em direito de 36 anos, que preferiu não se identificar completamente, expressou sua frustração com a polarização política. “Eu desfiz muitas amizades. Entendo que há intolerância de toda parte. O que ocorreu em 8 de janeiro (atos antidemocráticos de 2023) é condenável, mas me senti discriminado nos últimos anos”, disse ele, esperando que o próximo governo, a ser eleito neste domingo (25), promova o respeito entre os cidadãos.
Lana Wendy Rodrigues, de 29 anos, e Dayane Gomes, de 32, também estavam presentes, ambas vestindo camisas da seleção brasileira. Elas relataram que preferem evitar conversas sobre política no dia a dia para não enfrentarem resistências ou intolerâncias. “Vivemos em uma bolha onde as preferências são mais voltadas para ideais de direita”, comentaram, enquanto levavam uma bandeira do Brasil para o ato.
Do outro lado, Samuel Nascimento, de 26 anos, e sua irmã Julia, de 34, expressaram sua oposição a extremismos. Samuel ressaltou a importância do respeito à democracia, independentemente de quem vença as eleições. “A alternância de poder precisa ser pacífica”, disse ele.
A estudante Maria Eduarda Nascimento, de 18 anos, estava animada com seu primeiro voto, vendendo leques e camisetas com imagens de Flávio Bolsonaro. Ela contou que sua escolha foi influenciada por seu pai e amigos da igreja evangélica que frequenta na Ceilândia. A poucos quilômetros dali, as irmãs gêmeas Laila e Melissa Lacerda, de 16 anos, também estavam empolgadas com seu primeiro voto, desta vez a favor de Lula, e celebraram a participação dos jovens nas manifestações.
Murilo da Cunha, um economista aposentado de 73 anos, percorreu a Esplanada dos Ministérios em uma cadeira de rodas. Ele se disse emocionado com a manifestação, comparando-a aos movimentos de Diretas Já, na década de 1980. “Estou muito feliz e nunca vi nada igual na minha vida. Lamento ter me afastado de familiares e amigos por causa da divergência de opiniões”, comentou.
José Pedro Oliveira, de 61 anos, e Ana Carolina Campos, de 48, que em 2018 votaram em Jair Bolsonaro, relataram uma mudança de opinião após uma experiência traumática com a saúde de seu filho. “Nós nos decepcionamos muito e passamos a pensar radicalmente diferente. Devemos prezar para que o negacionismo não ameace a vida de mais ninguém”, afirmou Ana Carolina.
Um grupo de amigos na manifestação também destacou que seu voto em Lula está ligado à proteção de pessoas negras e LGBTs. Os universitários Nathália Rocha, de 25 anos, e Eduardo Couto, de 28, além da advogada, ressaltaram a importância de lutar por igualdade e respeito em um país tão dividido.



