Post: Lula deve priorizar escolha de novo ministro da Fazenda, afirma Garman do Eurasia

Christopher Garman, do Eurasia, afirma que Lula deve priorizar a escolha do novo ministro da Fazenda para restaurar a confiança do mercado.
Lula deve priorizar escolha de novo ministro da Fazenda, afirma Garman do Eurasia

O diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group, Christopher Garman, destacou que a prioridade para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ser a escolha do novo ministro da Fazenda, em um esforço para restaurar a confiança do mercado financeiro após a crise gerada pela recente vitória eleitoral. Segundo Garman, os nomes mais cotados para o cargo são o governador do Piauí, Rafael Fonteles, e o vice-presidente Geraldo Alckmin, ambos vistos como opções viáveis pelo mercado.

Garman ressaltou que a situação fiscal do Brasil é mais delicada agora do que em 2022, quando Lula assumiu o cargo pela terceira vez. “As contas estão numa situação mais precária e a credibilidade do governo no que se refere à gestão fiscal está bastante comprometida”, afirmou durante uma entrevista ao videocast C-Level. Ele enfatizou que a escolha do novo ministro será um sinal importante do compromisso do governo com o ajuste fiscal necessário para enfrentar a crise de confiança.

O especialista observou que, ao longo do processo eleitoral, a credibilidade fiscal do governo se deteriorou devido a promessas de gastos populistas feitas para garantir a vitória nas urnas. Essa deterioração culminou em reações negativas do mercado, que não estava preparado para o resultado das eleições. “A grande questão agora é como o governo Lula lidará com essa crise de confiança”, disse Garman, apontando que as indicações para cargos-chave, especialmente na Fazenda e na Casa Civil, serão cruciais para a recuperação da confiança dos investidores.

Ele também mencionou que o novo Congresso, que tomará posse em fevereiro, terá um perfil mais conservador, o que pode dificultar a aprovação de propostas fiscais. Garman sugeriu que o governo deve agir rapidamente para encaminhar uma proposta fiscal ao Congresso, possivelmente antes da posse em janeiro, para evitar um agravamento da situação. “A prioridade máxima é escolher o ministro da Fazenda para tentar apagar o incêndio dessa crise de confiança e trabalhar com uma proposta que possa ser enviada já em novembro”, destacou.

Além de Fonteles e Alckmin, o senador Camilo Santana também é cogitado para o cargo, mas Garman acredita que o mercado tende a favorecer Fonteles e Alckmin. O ex-ministro Fernando Haddad, que foi considerado um potencial candidato à Casa Civil, saiu enfraquecido após a eleição em São Paulo. Garman acredita que o nome de Fonteles, que possui uma sólida experiência em gestão fiscal, é o que mais agradaria ao mercado.

O especialista ainda mencionou que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-ministro Renan Filho também são nomes que podem surgir na discussão. Galípolo, em particular, é visto como um nome respeitado pelo mercado devido à sua gestão à frente do Banco Central, mas sua relação com o partido pode complicar sua indicação.

Garman concluiu afirmando que a escolha do novo ministro da Fazenda não é apenas uma questão de nome, mas também de como será estruturada a nova regra fiscal, que deverá limitar o crescimento dos gastos. “É fundamental que essa nova regra seja rigorosa o suficiente para restaurar a confiança do mercado e garantir um crescimento sustentável para o Brasil no futuro.”

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