A Keeta, empresa de delivery que chegou ao Brasil com grandes expectativas, completou neste sábado (31) um ano de operações no país, mas sua presença ficou aquém do planejado. A companhia, que tinha a meta de expandir para 16 regiões metropolitanas, se viu limitada a apenas 11 cidades em São Paulo, com a capital sendo a única metrópole atendida. Recentemente, a empresa anunciou uma nova expansão para 21 cidades do interior, com operações previstas para iniciar até o fim do ano, após uma decisão favorável na Justiça de São Paulo.
Originalmente, a Keeta planejava atender 80% da população urbana brasileira e investir R$ 5,6 bilhões ao longo de cinco anos. No entanto, até agora, menos de 20% desse valor foi aplicado, com a empresa enfrentando dificuldades devido a contratos de exclusividade de concorrentes com restaurantes.
O vice-presidente da Keeta no Brasil, Danilo Mansano, revelou que a companhia já consumiu R$ 1 bilhão para se manter nas praças onde opera, contando atualmente com cerca de mil funcionários. Especialistas apontam que, apesar da disponibilidade de capital, o verdadeiro desafio foi estabelecer uma rede de relacionamentos com os restaurantes, algo que as plataformas já estabelecidas no Brasil levaram anos para construir.
Em fevereiro, a Keeta adiou sua estreia no Rio de Janeiro e suspendeu seus planos de expansão nacional. Relatos indicam que parte da equipe do Rio, atraída por salários mais altos, deixou a empresa, que não definiu uma nova data para o lançamento na cidade. A Keeta atribuiu o adiamento a contratos de exclusividade, que bloqueiam a atuação em diversas redes de restaurantes.
De acordo com a empresa, mais de 50% das redes com cinco ou mais lojas estavam impedidas de trabalhar com a Keeta devido a esses contratos. O iFood, líder do setor, contestou essa alegação, afirmando que seus contratos estão em conformidade com as normas do Cade e que a exclusividade não é generalizada.
No entanto, a Keeta obteve uma vitória judicial contra a 99Food, que resultou na anulação de cláusulas que impediam restaurantes de se associarem à nova plataforma. Essa decisão foi vista pela Keeta como um precedente positivo, embora especialistas alertem que o alcance da decisão é limitado.
Atualmente, a Keeta conta com 83 mil restaurantes cadastrados, um aumento significativo em relação aos 27 mil no início das operações. O aplicativo já foi baixado mais de 10 milhões de vezes, com um tempo médio de entrega de 28 minutos em um raio de até três quilômetros. Apesar disso, a empresa não divulga informações sobre o número de pedidos ou usuários ativos, o que levanta questões sobre sua real participação no mercado.
Para contornar as limitações impostas pelos contratos de exclusividade, a Keeta começou a testar um novo modelo de compra intermediada, onde o aplicativo lista restaurantes que não são parceiros e envia um comprador para buscar os produtos. Essa prática, no entanto, gerou uma ação civil pública da ANR, que questiona a legalidade desse modelo.
A Keeta afirma que essa abordagem é uma solução temporária para ampliar o acesso a restaurantes ainda não integrados ao seu sistema, mas a situação continua a ser monitorada por órgãos reguladores. O futuro da empresa no Brasil dependerá de sua capacidade de superar esses obstáculos e estabelecer uma presença mais robusta no mercado de delivery.



