Post: Justiça colombiana determina devolução de obras sobre feminismo e direitos Lgbtqia+ em museu

Justiça colombiana determina que governo devolva obras sobre feminismo e direitos LGBTQIA+ retiradas de museu, em decisão que gera polêmica.
Justiça colombiana determina devolução de obras sobre feminismo e direitos Lgbtqia+ em museu

Um juiz de Bogotá decidiu, na noite de quarta-feira (28), que o governo do presidente Abelardo de la Espriella deve devolver, em até 48 horas, todas as obras retiradas do Museu Nacional da Colômbia. Essa decisão representa um revés significativo para a administração ultradireitista, que havia mandado retirar cerca de 30 peças relacionadas à diversidade sexual, ao feminismo e aos processos de paz, alegando que o museu não deveria ser um “instrumento de doutrinação política”.

A medida provocou uma onda de protestos, que não se restringiram apenas a grupos da esquerda e à classe cultural, mas também atraíram críticas de setores mais amplos da sociedade. Na sentença, o juiz afirmou que a retirada das obras foi feita “sem justificativa curatorial comprovada” e que a ação desconsiderou a proteção constitucional das expressões culturais, restringindo injustificadamente o direito dos autores de conhecer e apreciar essas obras.

A ação judicial foi movida por coletivos culturais e políticos de oposição, que classificaram a decisão do governo como uma forma de censura. O processo argumentou que a retirada das obras “viola o direito à igualdade e a proibição de discriminação por orientação sexual e identidade de gênero”. A Justiça já havia imposto medidas para proteger as peças enquanto o caso estava sendo analisado, mas a decisão recente não obriga a exposição permanente das obras nem impede mudanças nas mostras. O objetivo, conforme o texto da decisão, é assegurar que as decisões sobre o acervo sejam fundamentadas em critérios técnicos e não apenas na discordância das autoridades em relação às ideias ou eventos representados.

O deputado Gabriel Becerra, um dos autores do processo, declarou que a decisão é uma “vitória das vítimas, da diversidade, da paz e da memória histórica”. Em uma postagem no X, ele enfatizou que “nenhum governo é dono da nossa história”. Por outro lado, Abelardo de la Espriella, sem mencionar diretamente o museu, afirmou recentemente que o “Estado tem o dever moral” de “impedir que os espaços culturais sejam capturados pelo social-comunismo ateu e inimigo dos valores”. A retirada das obras transformou o Museu Nacional, o mais antigo do país e um dos principais espaços de memória histórica da Colômbia, em um palco de disputa política.

Espriella assumiu a presidência em agosto, com um discurso firme e promessas de combate ao crime organizado, além da defesa de ideais conservadores. Sua ofensiva se insere em uma tendência observada em governos ultraliberais e conservadores que promovem uma ideia de guerra cultural contra a esquerda, buscando rever a forma como museus e instituições públicas apresentam episódios da história nacional. Nos Estados Unidos, por exemplo, Donald Trump liderou uma disputa similar com o Instituto Smithsonian, refletindo uma preocupação crescente com a forma como a história é contada e interpretada nas instituições culturais.

Últimas Notícias