A construção civil enfrentou um desaquecimento no terceiro trimestre de 2026, pressionada pelos juros elevados e pela escalada dos custos, conforme relatório divulgado pela Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) nesta quinta-feira (29). Apesar da desaceleração, o setor conseguiu manter a criação de vagas formais, especialmente em projetos de infraestrutura, como energia e instalações industriais.
O indicador de atividade da construção registrou queda em relação ao trimestre anterior e ao mesmo período de 2025. No entanto, a Cbic projeta um crescimento de 1,2% para o PIB da construção civil em 2026, impulsionado pelo desempenho do primeiro semestre e pela continuidade das obras de infraestrutura.
Para 2027, a expectativa de uma recuperação mais robusta do setor dependerá da redução das taxas de juros e da diminuição dos custos de construção. Eduardo Aroeira, presidente da Cbic, destacou em coletiva de imprensa que a alta taxa de juros é um obstáculo significativo para o setor. Ele enfatizou a necessidade de um controle rigoroso das contas públicas para possibilitar uma redução nas taxas, que afetam diretamente a produção, as vendas e o consumo das famílias.
Cerca de 40% dos empresários consultados pela Cbic apontaram a taxa de juros elevada como o principal desafio enfrentado pelo setor, o maior percentual desde o terceiro trimestre de 2023. A combinação do custo do crédito, o endividamento das famílias e o aumento dos preços dos insumos tem dificultado o planejamento das empresas e limitado a expansão do setor.
Os indicadores de custos também refletem essa pressão. O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), calculado pela FGV (Fundação Getulio Vargas), apresentou uma alta de 6,64% nos 12 meses até setembro, superando a inflação oficial de 4,58% no mesmo período. A mão de obra teve um aumento de 7,78%, enquanto os materiais e equipamentos subiram 6,06%.
Apesar da desaceleração, a construção civil encerrou agosto com 3,15 milhões de trabalhadores com carteira assinada, o maior número desde o início da série do Novo Caged, em janeiro de 2020. Esse total representa um crescimento de 3% em relação ao mesmo mês de 2025. De janeiro a agosto, o setor criou 200.431 empregos formais, com as obras de infraestrutura respondendo por 79.065 dessas vagas, um aumento de 26,89% em relação ao ano anterior, superando a criação de postos na construção de edifícios.
Ieda Vasconcelos, economista da Cbic, ressaltou que a continuidade das obras de infraestrutura é crucial para a manutenção do emprego no setor, mesmo diante das dificuldades impostas pelos juros altos e pela inflação. A expectativa é que, com a estabilização da economia e a redução das taxas de juros, a construção civil possa retomar um crescimento mais expressivo nos próximos anos.



