O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) está intensificando suas ações de combate ao assédio eleitoral no ambiente de trabalho, enviando alertas por meio da carteira de trabalho digital. A iniciativa visa proteger os trabalhadores que possam estar enfrentando ameaças de demissão ou discriminação política. A mensagem é clara: “Você sofreu ameaça de demissão ou discriminação política no trabalho? O Ministério do Trabalho e Emprego existe para te proteger, denuncie o assédio aqui em https://assedioeleitoral.trabalho.gov.br/”.
Além de incentivar as denúncias, o MTE e a Justiça do Trabalho estão considerando a criação de uma lista suja de empresas envolvidas em assédio eleitoral, semelhante à lista de trabalho escravo. As penalidades para as empresas que figurarem nessa lista podem incluir restrições ao crédito, perda de contratos e danos à reputação.
A preocupação com o aumento do assédio eleitoral é evidente, especialmente em um cenário de polarização política acentuada nas eleições de 2026. Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, casos de violência, demissões e boicotes a empresas que apoiaram o candidato reeleito começaram a surgir, refletindo uma atmosfera de tensão.
Grupos bolsonaristas, por exemplo, lançaram a campanha “Demita um petista”, inspirada em movimentos similares nos Estados Unidos, incentivando o boicote a estabelecimentos que apoiaram Lula. O Ministério Público do Trabalho (MPT) já recebeu mais de 3.290 denúncias de assédio, com um terço delas ocorrendo após as eleições.
Em declarações recentes, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, enfatizou a gravidade da situação. “Nós não podemos aceitar que o trabalhador seja vítima de uma ilegalidade cometida por maus empresários”, afirmou. Ele destacou que ameaçar um trabalhador com demissão por suas opiniões políticas é uma das formas mais cruéis de punição.
Marinho também comentou sobre a proposta da lista suja, que visa dar visibilidade às irregularidades e alertar a sociedade sobre os empregadores que desrespeitam os direitos trabalhistas. O Banco Central seria notificado e informaria as instituições financeiras sobre as restrições de crédito para essas empresas.
O ministro fez um apelo às empresas para que respeitem os direitos dos trabalhadores, afirmando que um ambiente de trabalho saudável é fundamental para o crescimento econômico. Ele orientou os trabalhadores que se sentirem vítimas de assédio eleitoral a procurarem seus sindicatos e formalizarem denúncias pelos canais do MTE, reforçando a importância de se protegerem contra abusos no ambiente de trabalho.



