O jornalista Márcio Chaer, diretor da revista on-line Consultor Jurídico (ConJur), faleceu neste sábado, aos 71 anos, após uma tragédia ocorrida no centro de São Paulo. Chaer teve seu carro assaltado, e o bandido levou seu celular, que estava no banco do passageiro. Ao perceber a ação, ele desceu do veículo e começou a correr atrás do assaltante, percorrendo algumas centenas de metros antes de cair. A suspeita é de que ele tenha sofrido um infarto ou um mal súbito, conforme noticiado pelos jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo. Apesar de ter sido socorrido, o jornalista não resistiu e faleceu no local.
Márcio Chaer foi o fundador do Consultor Jurídico em 1997, um site que se tornou referência na cobertura do Poder Judiciário brasileiro. Seu falecimento gerou uma onda de homenagens nas redes sociais, com autoridades da área expressando seu pesar. O advogado-geral da União, Jorge Messias, destacou a dedicação de Chaer e sua importância como difusor da cultura jurídica no Brasil. “Ele deixa uma contribuição inestimável e uma marca especial em todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo e acompanhar seu trabalho”, escreveu Messias.
O presidente do Superior Tribunal de Justiça, Luís Felipe Salomão, também se manifestou, ressaltando que a atuação de Chaer revolucionou a cobertura do Judiciário. “Um pouco de todos que defendem e respeitam a Justiça brasileira vai com ele”, afirmou.
Ministros do Supremo Tribunal Federal também lamentaram a perda. Cristiano Zanin elogiou o conhecimento profundo de Chaer sobre temas jurídicos, enquanto Dias Toffoli o descreveu como um defensor da democracia e das liberdades constitucionais. “Perco um amigo certo das horas incertas, uma pessoa leal e íntegra”, disse Toffoli.
O presidente do Supremo, Edson Fachin, destacou Chaer como um pioneiro na comunicação especializada da Justiça, ressaltando que o ConJur não apenas inovou na difusão da informação jurídica, mas também se consolidou como um espaço aberto ao pluralismo de ideias e ao debate crítico. Fachin mencionou ainda o Anuário da Justiça, uma iniciativa de Chaer que se tornou um divisor de águas na gestão do sistema judiciário brasileiro.
Gilmar Mendes, decano do STF, expressou sua tristeza pela perda de um amigo querido e um profissional admirado. Ele destacou a importância do ConJur na democratização do acesso à informação especializada e a coragem de Chaer em sustentar posições contramajoritárias, especialmente durante a cobertura da Operação Lava Jato, que recebeu críticas de diversos setores.
A morte de Márcio Chaer é uma grande perda para o jornalismo e para a cobertura do Direito no Brasil, deixando um legado que será lembrado por muitos anos. Sua dedicação e paixão pelo jornalismo ético e pela justiça continuam a inspirar novos profissionais da área.



