A crise no Ueno Bank, um dos principais bancos do Paraguai, gerou uma onda de indignação entre os jogadores da seleção nacional, que se manifestaram em uma carta pública. Na mensagem, divulgada na quarta-feira (4), os atletas expressaram solidariedade aos correntistas do banco e afirmaram que também foram vítimas do colapso financeiro que levou à intervenção do Banco Central do Paraguai. Com mais de 2,9 milhões de clientes, o Ueno Bank foi alvo de uma intervenção após seu índice de solvência cair para 5,56%, bem abaixo do mínimo regulatório de 12%. Os jogadores, incluindo Gustavo Gómez, capitão do Palmeiras e da seleção, destacaram a necessidade de uma resposta firme do sistema de Justiça para punir os responsáveis pelo escândalo. “Nós também fomos vítimas desta situação, assim como muitas famílias paraguaias. Compartilhamos a mesma indignação, a mesma preocupação e a mesma dor que hoje afeta tantos compatriotas”, afirmaram. A carta, que ganhou repercussão nas redes sociais, foi compartilhada por outros jogadores que atuam em clubes brasileiros, como Fabián Balbuena, do Grêmio, e Damián Bobadilla, do São Paulo. Eles enfatizaram que, apesar de estarem entre os prejudicados, a prioridade deve ser a proteção das economias dos clientes mais vulneráveis. “Nossa prioridade absoluta deve ser o povo trabalhador. Aqueles que tinham as economias de toda uma vida investidas lá. As pessoas com menos recursos que hoje estão em total vulnerabilidade. São elas que precisam de mais apoio e que devem estar em primeiro lugar ante qualquer medida que seja tomada”, ressaltaram. De acordo com informações da publicação paraguaia ABC Color, um grupo de dez jogadores da seleção planeja entrar com uma ação coletiva contra o banco. Eles afirmaram que cada um avaliará individualmente as ações legais a serem tomadas, caso tenham sido afetados. A intervenção no Ueno Bank foi anunciada na terça-feira (3) e resultou na suspensão imediata de todos os serviços, deixando muitos clientes sem acesso a suas contas. A situação gerou protestos, com clientes confrontando a polícia em busca de respostas e soluções. Os jogadores da seleção paraguaia, em sua declaração, reafirmaram seu compromisso com a nação. “Ser paraguaio não é apenas vestir a camisa da seleção, é não abandonar o seu povo quando ele mais precisa. A Justiça deve atuar com força, punir os responsáveis. O povo paraguaio é solidário, honesto e trabalhador, merece que suas instituições estejam à altura”, concluíram. A crise no Ueno Bank não apenas afeta os correntistas, mas também levanta questões sobre a estabilidade financeira no Paraguai e a necessidade de medidas eficazes para proteger os cidadãos mais vulneráveis. Os jogadores, ao se posicionarem, não apenas defendem seus interesses, mas também se tornam vozes para aqueles que se sentem desamparados neste momento difícil.


