O partido do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, fez graves acusações contra os partidos árabes do país, afirmando que eles teriam “roubado” as eleições realizadas na última terça-feira (27). Em um comunicado divulgado nesta quarta-feira (28), a sigla exigiu uma investigação sobre supostas fraudes eleitorais, alegando que os partidos árabes apoiam o terrorismo e tentam desestabilizar o Estado judeu por meio de práticas ilícitas, como corrupção, ameaças e violência.
“As eleições no Estado de Israel foram roubadas por partidos árabes que apoiam o terrorismo e a aniquilação do Estado judeu por meio de graves atos criminosos de corrupção, ameaças, violência, falsificações e o uso de software proibido para encorajar eleitores a votar”, afirmou o partido em seu comunicado.
O Likud, partido governista, alegou que apresentou à polícia, ao comitê eleitoral e ao Shin Bet, a agência de segurança interna, “centenas de testemunhos” e evidências de violência contra equipes de seções eleitorais, compra de votos e votos duplicados, entre outras acusações. A sigla descreveu a situação como um “grave golpe à democracia israelense e ao direito de voto dos cidadãos”.
Em resposta às alegações do Likud, um funcionário do comitê eleitoral rejeitou as denúncias de fraude, afirmando que uma operação de fiscalização foi iniciada para revisar todas as reclamações e denúncias apresentadas por todos os partidos. O comitê enfatizou que essa medida é padrão em todos os pleitos.
Com mais de 85% das urnas apuradas até o início da tarde no horário de Brasília, o Likud liderava a contagem de votos, possuindo o maior número de cadeiras no Knesset, o Parlamento israelense. O bloco de Netanyahu somava 53 assentos, ainda abaixo da maioria necessária de 61 parlamentares para garantir a formação de um governo.
A oposição, por sua vez, contava com 48 cadeiras, enquanto os partidos árabes, que se posicionam contra Netanyahu, detinham 19 assentos. Essa configuração torna os partidos árabes um potencial fiel da balança no cenário atual, embora ainda não tenham estabelecido uma aliança consolidada com a oposição sionista.
Após a conclusão da apuração dos votos, o presidente de Israel, Isaac Herzog, consultará os partidos do Knesset e convidará algum parlamentar a tentar formar um governo. Isso implica que o partido ou bloco com mais votos nem sempre será o responsável pela formação do próximo governo, criando uma incerteza em um cenário sem uma maioria consolidada.
A coalizão de Netanyahu, a mais à direita da história de Israel, tem tentado isolar as siglas árabes, deslegitimando qualquer possível colaboração delas com a oposição. Este pleito é o primeiro realizado após o ataque terrorista liderado pelo Hamas em 7 de outubro, que resultou em uma escalada significativa do conflito na região.



