Os israelenses se preparam para ir às urnas na próxima terça-feira (27), marcando a primeira eleição desde o devastador ataque do Hamas em 7 de outubro, que mudou radicalmente o cenário político do país. Com mais de 7 milhões de eleitores aptos a votar, a escolha do novo Parlamento será crucial para determinar o futuro do governo e as diretrizes políticas de Israel. O pleito ocorre em um contexto de crescente preocupação com o custo de vida, a segurança nacional e a necessidade de uma investigação sobre a resposta ao ataque terrorista, além de questões relacionadas ao alistamento militar dos ultraortodoxos.
A sociedade israelense, já marcada por divisões antes do conflito, enfrenta um dilema complexo. Em uma pesquisa recente do Canal 12, 21% dos entrevistados apontaram a economia e o custo de vida como os principais fatores que influenciam seu voto. Outros 17% mencionaram a necessidade de igualdade nas obrigações de alistamento militar, enquanto 14% destacaram as falhas de segurança que culminaram no ataque de outubro. A segurança pública e a guerra com o Irã também são preocupações significativas para os eleitores, com 13% e 10% respectivamente, enquanto a reforma do Judiciário e a polarização social foram citadas por 9% e 8% dos entrevistados.
O cientista político Karabekir Akkoyunlu, professor visitante na Universidade Federal de Minas Gerais e pesquisador associado à Universidade de Oxford, observa que a eleição pode ser vista como um referendo sobre o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, embora não necessariamente sobre o ‘netanyahismo’, especialmente em questões de segurança. Ele ressalta que existem divergências sobre quem deve ser responsabilizado pelas falhas que levaram ao ataque terrorista, se o premiê, as Forças Armadas ou outras instituições do Estado.
Netanyahu, que é o primeiro-ministro mais longevo da história de Israel, busca se manter no cargo à frente do Likud. Desde dezembro de 2022, seu partido de direita governa com o apoio de legendas religiosas e de extrema direita, embora a controvérsia em torno do alistamento militar tenha gerado rupturas dentro da coalizão. O premiê enfrenta críticas pela sua resposta aos ataques do Hamas e ainda lida com um processo por corrupção, no qual nega qualquer irregularidade.
O principal adversário de Netanyahu nas eleições é Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e líder do partido Yashar (Íntegro), fundado em 2025. Com 41 anos de carreira militar, Eisenkot traz uma nova perspectiva ao debate eleitoral, propondo um enfoque diferente em relação à segurança e à política externa do país. A disputa entre Netanyahu e Eisenkot representa não apenas uma luta pelo poder, mas também um reflexo das profundas divisões que marcam a sociedade israelense, que busca um caminho a seguir após um dos períodos mais turbulentos de sua história recente.


