Post: Islândia decide não retomar negociações com a União Europeia após referendo

Islândia decide não retomar negociações com a União Europeia após referendo que revela preocupações com a pesca e a soberania nacional.
Islândia decide não retomar negociações com a União Europeia após referendo

A Islândia anunciou neste sábado (29) que não irá retomar as negociações de adesão à União Europeia (UE). A decisão foi amplamente divulgada pela emissora pública RUV, que informou que o resultado da consulta popular, realizada no dia anterior, indicava uma rejeição clara à ideia de adesão. Embora a apuração das urnas em localidades remotas ainda não estivesse completa, a tendência já se mostrava irreversível. Um resultado definitivo deve ser anunciado nas próximas horas.

A principal preocupação dos islandeses, segundo analistas, reside na pesca, que representa 40% das exportações do país. A adesão à UE implicaria em submeter-se a regras mais rigorosas estabelecidas por Bruxelas, o que gerou receios entre os eleitores. Apesar de a Islândia ser considerada uma candidata ideal para a UE, a rejeição reflete uma resistência a compromissos que poderiam impactar setores fundamentais da economia local.

A convocação do referendo foi impulsionada pelas ameaças do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à Groenlândia, que fica a cerca de 300 km da Islândia. Trump, em diversas ocasiões, confundiu os nomes dos dois territórios, o que gerou um clima de insegurança e levou a primeira-ministra, Kristrún Frostadóttir, a buscar a consulta popular. “Este é um grande dia; há anos esperávamos por isso para realizar uma votação”, afirmou a primeira-ministra após votar em Reykjavik.

Independentemente do resultado, Frostadóttir destacou que o governo continuará a trabalhar para garantir a soberania do país. O processo de adesão à UE estava suspenso desde 2013 e havia se tornado uma questão política interna adormecida até que as tensões internacionais, especialmente com a volta de Trump ao poder, reacendessem o debate.

A primeira tentativa de negociação com a UE ocorreu em 2009, em resposta à crise financeira global que afetou a Islândia. Além das ameaças de Trump, as ações da Rússia e da China na região do Ártico, cada vez mais acessível devido às mudanças climáticas, também contribuíram para a reabertura do debate sobre a adesão.

A Islândia, que não possui Exército e desde sua independência da Dinamarca em 1944 depende de acordos de proteção, é um dos 12 países fundadores da OTAN. Com uma população de menos de 400 mil habitantes, a nação não tem força suficiente para compor suas próprias forças de defesa, mas mantém acordos de cooperação com os EUA desde 1951.

Os defensores do “não” lembraram que a adesão à UE significaria a aceitação de uma série de regulações no setor pesqueiro, que há décadas afastam Reykjavik de Bruxelas. A pesca é uma parte vital da economia islandesa e um pilar da identidade cultural do país, especialmente considerando que a Islândia é um dos poucos países que ainda permitem a caça de baleias. Por outro lado, os apoiadores do “sim”, em sua maioria eleitores mais jovens, enfatizaram os potenciais benefícios econômicos e sociais da adesão à UE.

Últimas Notícias