O bilionário Peter Thiel, conhecido por sua atuação no setor tecnológico, se tornou um símbolo das críticas da oposição argentina ao governo do presidente Javier Milei. A mudança de Thiel para Buenos Aires e suas recentes aquisições no país têm gerado reações intensas, especialmente em um momento em que Milei enfrenta uma queda em sua popularidade a um ano das eleições presidenciais.
Na última sexta-feira (26), parlamentares da oposição realizaram uma audiência de cinco horas no Congresso para investigar os interesses de Thiel na Argentina. A medida surge em resposta à percepção de que o presidente está ‘vendendo’ o país, uma acusação que ganhou força com a presença do bilionário. Thiel adquiriu uma mansão em Buenos Aires e uma participação na maior exportadora de petróleo do país, o que elevou a desconfiança sobre suas intenções.
A audiência foi marcada por um clima de tensão, com uma pergunta central exibida em letras brancas sobre um fundo vermelho: ‘Por que Thiel está aqui?’. O evento ocorreu logo após um protesto em frente à propriedade do bilionário, onde manifestantes vestidos como personagens de ‘O Senhor dos Anéis’ entoaram cânticos e seguraram faixas com mensagens de protesto.
Os parlamentares da oposição tentaram retratar os interesses de Thiel como algo sinistro. O deputado peronista Juan Marino, que organizou a audiência, comparou a situação a uma distopia futurista, sugerindo que a tecnologia poderia levar a um futuro sombrio para a humanidade. Apesar de terem sido convidados, Thiel e membros do governo não compareceram à audiência, deixando os parlamentares a discutir teorias sobre suas intenções.
A situação se agrava para Milei, que vê seus índices de aprovação caírem para níveis alarmantes. Recentemente, um projeto de lei que facilitaria a posse de terras por estrangeiros gerou indignação pública, levando a mudanças significativas antes de sua aprovação. Agora, a oposição se concentra em outras propostas controversas, incluindo a que permitiria a administração de empresas por inteligência artificial e outra que estenderia benefícios tributários a novos setores.
Milei também está promovendo um programa de concessão de passaportes em troca de investimentos, o que alimenta as acusações de que ele estaria ‘vendendo’ os recursos da Argentina para garantir sua reeleição em 2027. Fontes próximas a Thiel afirmam que seu principal interesse no país é estabelecer um abrigo contra possíveis catástrofes, como um ataque nuclear. Embora ele tenha apoiado a ideia de Milei de permitir a administração de empresas por inteligência artificial, não foi ele quem redigiu a proposta.
Recentemente, Thiel cancelou uma palestra programada em uma conferência empresarial em Buenos Aires, sem fornecer explicações. Essa decisão levanta mais questões sobre seu papel e interesses na Argentina, em um cenário político cada vez mais conturbado.



