O Irã se prepara para um funeral monumental em homenagem ao aiatolá Ali Khamenei, que será realizado a partir desta sexta-feira (3) em Teerã e se estenderá por quase uma semana. As cerimônias, que ocorrerão em pelo menos cinco cidades do Irã e no Iraque, devem atrair dezenas de milhões de pessoas, segundo autoridades do regime. Este evento ocorre mais de quatro meses após a morte de Khamenei, que foi assassinado no início do conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, e em um contexto de protestos em massa que exigiam sua queda.
Embora a expectativa de comparecimento seja alta, muitos iranianos ainda expressam descontentamento com o legado de Khamenei, que governou por quase quatro décadas, caracterizadas por repressão, corrupção e controle autoritário. Sua morte foi celebrada por alguns, refletindo a insatisfação generalizada com o regime.
Khamenei não era apenas um líder político, mas também uma figura religiosa de grande influência, considerado um “marja” na hierarquia do clero xiita. Sua influência se estendia além das fronteiras do Irã, com seguidores no Iraque, Líbano e outros países da região. Apesar de não ser visto como a principal autoridade clerical, sua posição política e as alianças com grupos militantes xiitas garantiram-lhe um papel de destaque no cenário regional.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fez um apelo aos cidadãos de todas as etnias e crenças para que compareçam ao funeral, enfatizando a importância da unidade nacional e da imagem que o país deseja projetar ao mundo. A cerimônia será uma oportunidade para o regime demonstrar sua força e resiliência diante de ameaças externas.
A realização do funeral, quase cinco meses após a morte de Khamenei, é um fato incomum na cultura muçulmana, evidenciando as circunstâncias excepcionais enfrentadas pelo Irã. As autoridades negaram rumores sobre o sepultamento temporário do corpo e afirmaram que ele foi mantido de acordo com as normas religiosas.
O evento representa um desafio logístico significativo, com Teerã se preparando para um feriado oficial de três dias. Estacionamentos foram organizados fora da capital para acomodar os visitantes, e locais como quartéis militares e escolas estão sendo utilizados para receber os enlutados. A cerimônia fúnebre, que incluirá uma procissão pelas principais ruas de Teerã, acontecerá na segunda-feira (6).



