Os investidores estão ajustando suas expectativas em relação ao crescimento econômico dos Estados Unidos, optando por comprar títulos públicos em meio a crescentes preocupações sobre a dependência do país em relação à inteligência artificial (IA). Apesar de um crescimento surpreendente de 3,4% no terceiro trimestre, os balanços das grandes empresas de tecnologia trouxeram incertezas sobre a sustentabilidade desse crescimento.
Após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, que incluíram notícias negativas de gigantes como Meta, Alphabet, Amazon e Intel, o Nasdaq 100 sofreu uma queda de 2%, aprofundando perdas anteriores e levando o índice a um território de correção. A Alphabet, em particular, viu suas ações despencarem 13% após relatar um fluxo de caixa livre negativo pela segunda vez desde sua abertura de capital em 2004. Isso se deu em um contexto onde os gastos com tecnologia estão crescendo, mas a receita em algumas áreas começou a desacelerar.
A migração para os títulos do Tesouro, que começou como uma estratégia temporária de investidores em busca de segurança, agora parece indicar uma mudança mais estrutural nas expectativas de crescimento. O rendimento dos títulos de dez anos, descontando a inflação, caiu para 2,58%, o menor nível desde setembro, refletindo uma busca por ativos mais seguros à medida que os investidores reavaliam sua exposição à IA.
Bill Campbell, gestor de portfólio da DoubleLine, comentou que o mercado estava anteriormente otimista quanto ao crescimento impulsionado pela IA, mas agora está reavaliando essa perspectiva. Priya Misra, da JPMorgan Asset Management, também destacou que, embora os dados econômicos atuais não indiquem desaceleração, os mercados estão olhando para o futuro e reavaliando suas expectativas.
O economista-chefe da BNY Investments, Vincent Reinhart, expressou preocupação com a dependência excessiva da economia dos EUA em relação ao boom da IA, afirmando que essa situação não é apenas um fenômeno americano, mas global. Reinhart alertou que a composição do crescimento é preocupante, pois depende fortemente dos gastos com tecnologia. Robert Sockin, da PGIM, acrescentou que o ambiente atual pode levar a um superaquecimento da economia, aumentando o risco de uma recessão.
O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, tentou minimizar essas preocupações, afirmando que a força da economia americana não está concentrada em nichos restritos. No entanto, muitos investidores acreditam que o crescimento das empresas de IA no ano passado torna mais difícil superar esses números no futuro, o que pode indicar uma desaceleração, mas não necessariamente fraqueza econômica. Essa reavaliação do crescimento e da IA está moldando as expectativas do mercado e pode impactar as decisões de investimento nos próximos meses.



