Post: Juiz rejeita ação de Trump contra Wall Street Journal por suposta carta a Epstein

Juiz rejeita ação de Trump contra Wall Street Journal por suposta carta a Epstein, destacando a liberdade de imprensa.
Juiz rejeita ação de Trump contra Wall Street Journal por suposta carta a Epstein

Um juiz federal rejeitou, neste sábado (31), um processo de difamação movido pelo ex-presidente Donald Trump contra o jornal The Wall Street Journal. A ação estava relacionada a uma reportagem que associava Trump ao criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein. O caso foi rejeitado pela segunda vez, após o juiz Darrin P. Gayles, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos do Sul da Flórida, acatar o pedido do jornal para que a ação fosse encerrada, afirmando que Trump não conseguiu demonstrar que o WSJ agiu com dolo efetivo ao publicar a matéria.

A polêmica teve início em 2025, quando o Wall Street Journal publicou uma reportagem revelando uma mensagem obscena de aniversário que Trump teria enviado a Epstein em 2003. Na ação, Trump alegou que o jornal difamou seu “caráter e integridade” ao divulgar a suposta carta, na qual ele teria escrito: “Feliz aniversário — e que cada dia seja mais um segredo maravilhoso”. O ex-presidente negou a autoria da carta e pediu uma indenização de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 54 bilhões).

O juiz Gayles destacou que o critério do dolo efetivo, necessário para figuras públicas em casos de difamação, não foi atendido. Ele afirmou que o argumento de Trump, de que o jornal deveria ter ignorado suas negativas após a publicação, violaria a Primeira Emenda, que garante a liberdade de imprensa. “Na prática, o presidente Trump argumenta que, depois que declarou que a carta era ‘falsa’, os réus deveriam ter desconsiderado todo o restante que descobriram em sua investigação e não publicado a reportagem”, escreveu o juiz em sua decisão de 20 páginas.

Com a rejeição definitiva da ação, a mesma reivindicação não poderá ser apresentada novamente. Um porta-voz da equipe jurídica de Trump declarou que o ex-presidente continuará sua luta judicial contra o Wall Street Journal e outros veículos que considera responsáveis por disseminar notícias falsas e difamações. “O presidente continuará responsabilizando por seus atos aqueles que enganam o povo americano com notícias falsas e difamações”, afirmou o porta-voz.

Por outro lado, um representante da Dow Jones, empresa controladora do WSJ, expressou satisfação com a decisão do tribunal. A relação de Trump com a imprensa sempre foi marcada por hostilidade, e ele frequentemente recorre à Justiça para contestar reportagens que considera injustas ou críticas. Nos últimos anos, ele processou diversos meios de comunicação, incluindo The New York Times, BBC e CNN.

O caso ganhou notoriedade após a publicação da reportagem em 17 de julho de 2025, com o título: “Amigos de Jeffrey Epstein enviaram a ele cartas picantes para um álbum de 50º aniversário. Uma delas era de Donald Trump”. A matéria descrevia uma carta que, supostamente, Trump enviou a Epstein, que foi incluída em um álbum de aniversário preparado para o criminoso. A carta continha um desenho obsceno, com a assinatura de Trump abaixo da cintura, imitando pelos pubianos.

Após a publicação, advogados do espólio de Epstein entregaram uma cópia do livro de aniversário ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes, que incluía a carta e o desenho mencionados pelo jornal. O álbum, de 238 páginas, foi compilado por Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Epstein, que foi condenada por sua participação nos crimes de abuso sexual do magnata.

A ação de Trump também citava como réus a News Corp, empresa controladora do WSJ; seu fundador, Rupert Murdoch; seu CEO, Robert Thomson; sua editora, Dow Jones; e dois repórteres do veículo. Com a decisão do juiz, o ex-presidente enfrenta mais um revés em sua longa batalha judicial contra a mídia.

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