Em uma reflexão profunda sobre o impacto da inteligência artificial (IA) na sociedade, o historiador e deputado Rui Tavares destaca a importância de garantir que essa tecnologia esteja disponível para todos, tanto para o bem quanto para o mal. Tavares, que também é ex-deputado no Parlamento Europeu, lembra de sua experiência nos anos 90, quando a internet começava a se popularizar. Naquela época, um único computador conectado à rede despertava espanto e curiosidade, mas rapidamente se tornou uma ferramenta essencial para o compartilhamento de conhecimento e informação. O autor enfatiza que, assim como a internet, a IA possui um potencial revolucionário que não deve ser monopolizado por atores privados. Ele expressa preocupação com o fato de que, atualmente, o debate sobre a IA não inclua a exigência de acesso universal e equitativo. Tavares observa que, enquanto a maioria das pessoas tem acesso apenas a versões gratuitas de ferramentas de IA, as opções pagas oferecem recursos muito mais avançados, criando uma disparidade que pode levar a injustiças significativas no mercado de trabalho. Essa desigualdade de acesso, segundo Tavares, pode resultar em grandes diferenças na remuneração e nas oportunidades de promoção, especialmente em ambientes como escolas e administrações públicas. Ele argumenta que, diante do que pode ser a maior revolução no mundo do trabalho, é fundamental que todos tenham a chance de se beneficiar da IA. Tavares conclui que a falta de um movimento coletivo em prol do acesso à IA é um erro grave e que as consequências dessa exclusão podem ser ainda mais severas do que as observadas no advento da internet. Para ele, o acesso à tecnologia deve ser uma prioridade, garantindo que todos possam participar dessa nova era de conhecimento e inovação.



