A Índia está se posicionando como um destino atrativo para empresas de data centers, oferecendo subsídios nas tarifas de energia, incentivos fiscais e facilidades na liberação de terrenos. Essa estratégia visa aumentar a capacidade de energia limpa no país, que já enfrenta uma demanda crescente por infraestrutura de tecnologia, especialmente em um cenário global em que muitos operadores buscam alternativas fora dos Estados Unidos e do Oriente Médio. De acordo com Kuldeep Jain, diretor-geral da CleanMax Enviro Energy Solutions, a energia renovável necessária para suportar a infraestrutura que atende à inteligência artificial é “enormemente subestimada”. Jain destaca que, mesmo uma estimativa conservadora de cinco gigawatts (GW) de capacidade de data centers na Índia exigiria entre 30 e 40 GW de energia renovável, evidenciando a necessidade de investimentos significativos no setor. A CleanMax, uma das principais fornecedoras de energia renovável do país, está expandindo sua capacidade em cerca de 1,5 GW por ano, com um investimento anual que pode chegar a 90 bilhões de rupias (aproximadamente 950 milhões de dólares). Jain explica que, para abastecer um data center de IA de 1 GW com 75% de energia renovável, seriam necessários cerca de 3 GW de energia solar e 3 GW de energia eólica, além de uma capacidade de armazenamento de energia de aproximadamente 3 gigawatts-hora. Isso representa um investimento de cerca de 400 bilhões de rupias (cerca de 4,8 bilhões de dólares) apenas na parte de energias renováveis. A Índia se tornou o mercado mais bem classificado para o desenvolvimento de data centers na região da Ásia-Pacífico, excluindo a China, segundo a BloombergNEF. As críticas a instalações nos Estados Unidos, que consomem grandes volumes de recursos, e os riscos associados a conflitos no Oriente Médio têm reforçado a atratividade da Índia. Recentemente, dois data centers da Amazon foram danificados em um ataque no Bahrein, o que acentuou a busca por alternativas seguras. Além disso, as hiperescaladoras de IA, como Meta, Google, Apple e Amazon, estão cada vez mais interessadas em contratos flexíveis de energia, permitindo que compensem suas emissões sem a necessidade de receber eletricidade diretamente. Essa flexibilidade tem se mostrado vantajosa para os fornecedores, que podem vender a energia no mercado e garantir a mesma receita. Atualmente, já estão em construção data centers com 1,3 GW de capacidade de TI na Índia, enquanto outros projetos, totalizando 3,2 GW, já garantiram terrenos e licenças. A consultoria Wood Mackenzie prevê que a capacidade de data centers na Índia chegue a 12 GW até 2030, com um aumento significativo na demanda por infraestrutura voltada para inteligência artificial.



