A votação mais significativa para a escolha do próximo secretário-geral da ONU enfrentou um impasse nesta sexta-feira (16). Todos os candidatos ao cargo receberam pelo menos dois vetos de membros permanentes do Conselho de Segurança, dificultando a definição do novo líder da organização. A eleição ocorre através de “straw polls”, que são votações secretas entre os 15 membros do Conselho, incluindo cinco permanentes e dez rotativos. Esses membros avaliam se apoiam, não apoiam ou não opinam sobre cada candidatura. Nesta votação, as cédulas dos membros permanentes foram diferenciadas por cores, com as vermelhas indicando um veto. Essa mudança é crucial, pois um candidato não pode ser eleito se tiver o veto de um dos cinco membros permanentes, conhecidos como P5 (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia). Para ser eleito, um candidato precisa do apoio de pelo menos nove membros, incluindo cinco permanentes. O nome então é enviado à Assembleia Geral, composta por 193 países-membros, onde a validação é geralmente uma formalidade, considerando que o candidato já passou pela avaliação do Conselho. O atual secretário-geral, António Guterres, deixará o cargo no final deste ano após dois mandatos. Idealmente, seu sucessor deveria ser escolhido com antecedência para garantir uma transição tranquila. Atualmente, várias opções estão sendo consideradas. Existe a possibilidade de que um novo nome surja na disputa, já com apoio dos P5, já que não há prazo limite para a apresentação de candidaturas. Além disso, um candidato já na lista pode conseguir a retirada do veto recebido. Situações semelhantes já ocorreram no passado. O ganês Kofi Annan, que foi secretário-geral de 1997 a 2006, foi eleito em 13 de dezembro de 1996, a apenas duas semanas do fim do mandato de seu antecessor, após a França retirar seu veto. A candidata mais bem colocada até o momento é Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e atual diretora da agência da ONU para Comércio e Desenvolvimento. Se eleita, ela se tornará a primeira mulher, a primeira centro-americana e a primeira judia a liderar a organização. Na votação mais recente, Grynspan obteve nove apoios, mas ainda enfrenta os vetos que dificultam sua candidatura. O cenário atual reflete a complexidade das negociações no âmbito da ONU e a importância do apoio dos membros permanentes para a eleição do novo secretário-geral. A situação continua a evoluir, e as próximas semanas podem trazer novas surpresas na corrida pelo cargo.



