Uma atualização recente da nota metodológica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) retirou a menção a uma possível inclusão de uma estimativa de comercialização de drogas no cálculo do PIB (Produto Interno Bruto). O órgão não confirma se essa contagem, recomendada por manuais internacionais e especialistas, será incorporada aos cálculos do indicador. O PIB é um importante indicador que mede o desempenho da atividade econômica do país e integra o Sistema de Contas Nacionais, atualmente em atualização pelo IBGE. A revisão visa aprimorar as estatísticas e captar as mudanças ocorridas na economia ao longo dos anos. Na primeira versão da nota metodológica, divulgada em 8 de outubro de 2025, o instituto indicava que a nova base incluiria a estimativa da comercialização de drogas, entre outras atualizações. No entanto, o comunicado mais recente, publicado em 11 de setembro de 2026, não faz referência ao tema. Embora o assunto seja considerado secundário por especialistas, ele se tornou uma fonte de polêmica nas redes sociais, especialmente a partir de setembro, quando perfis contrários ao governo do presidente Lula (PT) começaram a usar o tema para criticar a administração na campanha eleitoral. Especialistas argumentam que faz sentido incluir estimativas sobre o que é movimentado por atividades ilícitas, como a venda de drogas. Essa prática já ocorre em outros países, e a ampliação da base estatística poderia ajudar na formulação de políticas de combate a ilegalidades. Em resposta à crescente discussão, o IBGE publicou um texto em seu site em 18 de setembro, buscando esclarecer a situação. No entanto, não há confirmação sobre a inclusão das drogas no cálculo do PIB brasileiro. O comunicado do IBGE menciona que manuais de Contas Nacionais indicam que todas as atividades econômicas devem ser contabilizadas para estimar a geração de renda e outros componentes da economia, independentemente de serem informais ou ilegais. Referências como o SNA (Sistema de Contas Nacionais) da ONU e recomendações do Eurostat, órgão estatístico da União Europeia, sustentam essa abordagem. A inclusão de drogas ilícitas no cálculo do PIB é uma prática que faz parte do Sistema Europeu de Contas (ESA 2010) e se tornou obrigatória para os países da União Europeia na metade da década passada. Países como Inglaterra, França, Alemanha e Suécia já adotam essa prática. Em setembro, a Folha questionou o IBGE sobre a inclusão das drogas no PIB brasileiro, mas o instituto reiterou o mesmo texto disponível em seu site, sem fornecer novas informações. As discussões sobre o tema continuam, mas até o momento, não há uma definição clara sobre a inclusão de atividades ilícitas nas contas nacionais brasileiras.



