Cinco anos após o assassinato do presidente Jovenel Moïse, o Haiti continua imerso em um ciclo de violência que se intensificou, refletindo uma intersecção de crises humanitária, econômica e institucional que desestabilizam o país. O crime, ocorrido na madrugada de 7 de julho de 2021, em sua residência em Porto Príncipe, desencadeou uma série de eventos que aprofundaram a crise já existente. Atualmente, facções ligadas a grupos políticos dominam a maior parte da capital e expandem seu controle para áreas rurais anteriormente menos afetadas. A resposta da comunidade internacional a essa situação crítica é a Força de Supressão de Gangues (GSF, na sigla em inglês), uma missão multinacional autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU, que começou a atuar em Porto Príncipe. Esta nova missão busca, em colaboração com as forças policiais haitianas, enfrentar as milícias armadas que têm sido os principais agentes da violência no país. Desde 2024, o Haiti era atendido pela Missão Multinacional de Apoio à Segurança, liderada por oficiais quenianos e financiada em grande parte pelos Estados Unidos, mas a incapacidade de conter a expansão das gangues levou à sua retirada em abril deste ano. A GSF, que inclui agentes de diversos países, principalmente do Chade, é vista como uma tentativa de oferecer uma resposta mais robusta à crise. O secretário-geral da ONU, António Guterres, visitou o Haiti em junho e enfatizou a importância da nova missão, afirmando que ela representa uma oportunidade real para restaurar a autoridade do Estado haitiano. “Não podemos desperdiçar essa oportunidade”, declarou Guterres. Entretanto, a violência continua a escalar. Em junho, Porto Príncipe foi palco do sequestro de James Boyard, diretor de gabinete do Ministério da Defesa e uma figura proeminente na segurança do país. Este sequestro, que envolve um dos mais altos escalões da hierarquia do governo, ilustra a gravidade da situação e a fragilidade das instituições haitianas. A realidade no Haiti é marcada por uma luta constante entre as forças do Estado e as gangues, que se tornaram protagonistas em um cenário de insegurança e desespero. A nova missão da ONU, embora esperada com esperança, enfrenta o desafio de reverter uma tendência de violência que parece estar enraizada e em expansão. O futuro do Haiti depende não apenas da eficácia das intervenções externas, mas também da capacidade do governo de restabelecer a ordem e a confiança da população em suas instituições.



