O Departamento de Justiça dos Estados Unidos entrou com uma ação contra a Califórnia, solicitando a um juiz federal que impeça o estado de contar os votos por correspondência de mais de 20 mil eleitores, que, segundo o governo Trump, provavelmente não são cidadãos americanos. A ação, protocolada na quinta-feira (15), ocorre a pouco mais de duas semanas das eleições de meio de mandato, em que o Partido Republicano busca manter o controle do Congresso.
A Constituição dos EUA atribui a responsabilidade pela administração das eleições aos estados, mas o governo federal tem um papel de supervisão. O presidente Donald Trump tem insistido que a votação por não cidadãos é um problema generalizado, apesar de estudos que indicam que isso ocorre raramente. Uma investigação da Reuters revelou que apenas 129 pessoas foram processadas por voto ilegal de não cidadãos desde a promulgação da lei que criminaliza essa prática, em 1996.
Na ação judicial, o Departamento de Justiça pediu uma ordem para impedir a Califórnia de contabilizar os votos por correspondência recebidos até que a situação migratória dos eleitores seja verificada. A lista de supostos eleitores não cidadãos foi enviada ao estado em um pen drive, e as autoridades californianas receberam um prazo de 48 horas para revisar a lista.
Essa ação representa um aumento na pressão do governo federal sobre as autoridades eleitorais estaduais em relação à suposta votação por não cidadãos. O Departamento de Justiça alertou as autoridades eleitorais de todos os 50 estados que poderiam enfrentar ações legais se permitissem que não cidadãos permanecessem nos cadernos eleitorais ou votassem. Até agora, o departamento moveu ações contra 30 estados e o distrito de Washington, mas perdeu 26 desses casos.
Na ação contra a Califórnia, o Departamento de Segurança Interna foi mencionado, indicando que o governo está intensificando seus esforços para garantir que apenas cidadãos votem nas eleições. A medida é vista como parte de uma estratégia mais ampla de Trump para reforçar a segurança eleitoral, embora críticos argumentem que isso pode ser uma tentativa de suprimir o voto em áreas com alta população de imigrantes.




