Post: Camisas 9 e 10: a evolução das posições icônicas no futebol na Copa do Mundo de 2026

Na Copa do Mundo de 2026, as camisas 9 e 10 mostram uma transformação significativa nas posições icônicas do futebol.
Imagem gerada com IA

Na Copa do Mundo de 2026, as tradicionais camisas 9 e 10, símbolo de posições icônicas no futebol, passaram por uma transformação significativa. Com a evolução do jogo, os papéis atribuídos a essas camisas estão mudando, refletindo uma nova realidade no esporte. Jogadores que antes eram reconhecidos como centroavantes ou armadores de criação estão se tornando cada vez mais raros, dando lugar a novas dinâmicas de jogo.

Antes do início do torneio, o Grupo de Estudos Técnicos (TSG) da Fifa previu que a competição na América do Norte seria o marco onde uma tendência em ascensão no futebol de clubes se consolidaria. As funções de criação estão agora nas mãos de meio-campistas que se deslocam entre as áreas ou de alas, enquanto a responsabilidade por marcar gols recai sobre “falsos nove” ou pontas, ao invés dos tradicionais centroavantes.

Jon Dahl Tomasson, membro do TSG, destacou que a pressão e a intensidade do futebol moderno exigem atributos diferentes dos jogadores. As previsões se confirmaram, com a competição avançando para as semifinais, onde se enfrentam Espanha e França, além de Inglaterra e Argentina. Entre os cinco principais artilheiros, apenas o norueguês Erling Haaland se destaca como um camisa 9 clássico. Os outros quatro — Lionel Messi, Kylian Mbappé, Harry Kane e Jude Bellingham — não são centroavantes de ofício, movimentando-se por diversas zonas do ataque e contribuindo na construção das jogadas.

Enquanto isso, as funções de armação e controle de jogo estão sendo assumidas por pontas e meias de alta qualidade. No top 10 de assistências, apenas Michael Olise se destacou como um camisa 10 clássico, mas suas características incluem velocidade e habilidade para superar defensores, algo raro entre os armadores tradicionais.

Zinho, ex-meia da seleção brasileira, observou que o modelo de jogo atual busca jogadores rápidos e versáteis, resultando em uma diminuição no número de camisas 9. Ele argumenta que esses atacantes precisam ter mobilidade e desempenhar múltiplas funções, o que torna cada vez mais difícil encontrar jogadores com as características clássicas de um centroavante.

Mbappé, que divide a artilharia desta Copa com Messi, é a principal referência ofensiva da seleção francesa. No entanto, seu papel vai além de ser um mero finalizador; ele se movimenta por todo o setor ofensivo, pressiona os adversários e se integra de forma fluida ao trio de ataque com Olise e Dembélé. Zinho complementa que o camisa 9 moderno precisa aprender a recuar, marcar e participar da construção das jogadas, o que resulta em uma escassez de jogadores que atuam exclusivamente na área.

As equipes que chegaram às semifinais, como Paris Saint-Germain e Arsenal, exemplificam essa nova abordagem, frequentemente jogando sem um centroavante fixo. Seleções como Marrocos e Espanha também adotaram essa estratégia, utilizando um meio-campista como “falso nove” ou um ponta como referência no ataque.

Além disso, muitas seleções optaram por não escalar um camisa 10 tradicional, o armador com visão de jogo e toque refinado, mas que frequentemente carecia de resistência física. As equipes que não escalaram um meia-atacante geralmente contaram com um meio-campo com três jogadores, onde meias versáteis assumiram a função de orquestrar o jogo.

Zinho observa que o camisa 10 moderno recua um pouco, atuando como um segundo homem de meio-campo ou caindo para o lado, o que contribui para a diminuição do jogador centralizado, o pensador do jogo. Apesar disso, três dos quatro semifinalistas optaram por armadores que se sacrificam defensivamente, como Dani Olmo, Jude Bellingham e Olise, que, embora joguem como pontas, têm a capacidade de desempenhar funções de criação.

A Argentina, com Messi, ainda conta com um jogador que remete ao armador clássico, embora tenha passado grande parte de sua carreira atuando como ponta ou falso nove. Walter Casagrande, ex-atacante da seleção brasileira, ressalta que a figura do camisa 10, aquele que pensa e cadencia o jogo, está se tornando cada vez mais rara. “O camisa 10 está desaparecendo”, conclui.

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