Em um movimento que pode alterar a dinâmica política do Oriente Médio, os Estados Unidos aprovaram a venda de 48 caças F-35 para a Arábia Saudita. O anúncio foi feito em um momento crítico, onde as tensões na região se intensificaram, especialmente em relação ao conflito no Iémen e as relações com Israel. A autorização, que envolve também a venda de 49 motores, foi divulgada pelo Departamento de Estado e está avaliada em cerca de US$ 24,9 bilhões (aproximadamente R$ 151,4 bilhões). O F-35, um caça de quinta geração, até então era operado apenas por Israel na região. A Arábia Saudita, que já possui uma frota mista de caças americanos e europeus, buscava há anos a aquisição deste modelo, que promete modernizar suas capacidades aéreas. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman havia discutido a compra durante uma visita a Washington em novembro, quando o ex-presidente Donald Trump anunciou o negócio. A venda ocorre em meio a um aumento das hostilidades no Iémen, onde os houthis, apoiados pelo Irã, intensificaram seus ataques contra a Arábia Saudita. Desde julho, a guerra civil no Iémen recomeçou com um bloqueio aéreo na capital controlada pelos rebeldes. Os sauditas, que apoiam o governo deposto pelos houthis desde 2014, enfrentam uma nova ofensiva que ameaça o controle de portos estratégicos no Mar Vermelho. Recentemente, os houthis conseguiram derrubar um caça F-15 saudita e realizaram ataques em bases militares sauditas, evidenciando a fragilidade da situação. Embora os F-35 não cheguem a tempo de impactar diretamente o conflito atual, sua venda é vista como um sinal de apoio dos EUA à Arábia Saudita em um momento de crise. Além disso, há um acordo em tramitação no Congresso americano que permitiria à Arábia Saudita enriquecer urânio em seu território, embora a aprovação dependa de uma paz improvável entre Riad e Israel. A venda dos F-35 não só reforça a capacidade militar saudita, mas também altera o equilíbrio de poder no Oriente Médio, onde a presença de aeronaves de quinta geração pode influenciar as relações entre os países da região. A situação continua a evoluir, e a comunidade internacional observa atentamente os desdobramentos dessa venda e suas possíveis consequências para a estabilidade regional.



