O candidato ao Senado por São Paulo, Ricardo Salles (Novo), participou do programa Café com a Gazeta do Povo, onde abordou a recente aliança entre o PT e o PL de Valdemar Costa Neto, que, segundo ele, foi crucial para a eleição de Davi Alcolumbre (União) à presidência do Senado. Durante a entrevista, Salles, que foi ministro do Meio Ambiente no governo Bolsonaro e um dos deputados federais mais votados em 2022, expressou suas preocupações sobre a direção que o PL tomou sob a liderança de Costa Neto. Ele destacou que sua saída do partido se deu por discordâncias com o atual comando, especialmente em relação à escolha de André do Prado (PL) para a chapa ao Senado, que inclui o ex-secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP). Salles, que recebeu 640,9 mil votos nas últimas eleições, criticou a aliança entre o PL e o PT, afirmando que isso representa uma união “perniciosa” que compromete os valores conservadores. Ele argumentou que a escolha de Alcolumbre para a presidência do Senado foi resultado de um acordo entre os dois partidos, o que, segundo ele, prejudica a oposição e a capacidade de colocar em votação pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). “Quando o PL do Valdemar se juntou ao PT do Lula para eleger Alcolumbre, nós, do Novo, avisamos que isso não deveria ser feito”, afirmou Salles. Além disso, o candidato criticou a indicação de André do Prado, que, segundo ele, foi uma decisão de Costa Neto, em desacordo com as preferências do ex-presidente Jair Bolsonaro. Salles ressaltou que a ala do PL ligada a Costa Neto tem se mostrado mais flexível em relação a pautas que envolvem o impeachment de ministros do STF, o que, na sua visão, é um desvio dos princípios conservadores. “O André do Prado é um exemplo de candidaturas que se disfarçam de direita, mas não vão fazer nada contra o sistema”, acusou. Salles também comentou sobre a situação política atual, afirmando que, para que a direita conservadora tenha sucesso nas próximas eleições, é fundamental não apenas eleger candidatos alinhados, mas também conquistar a presidência do Senado. Ele acredita que isso é essencial para viabilizar a abertura de impeachment contra ministros do STF. “Os bons senadores elegerão um bom presidente do Senado, não as indicações do PL de Valdemar”, defendeu. Em relação a Flávio Bolsonaro (PL), Salles criticou a manutenção de diálogos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que foi preso pouco depois de uma conversa com o filho do ex-presidente. “A conversa dele com Vorcaro foi um erro. Já existiam suspeitas fortes contra ele”, comentou. No entanto, Salles defendeu a união da direita em um eventual segundo turno contra Lula, enfatizando que todos devem se unir contra o ex-presidente. O ex-governador Romeu Zema (Novo) é o candidato à presidência da República pelo partido Novo e, segundo Salles, foi precipitado ao criticar Flávio Bolsonaro após o vazamento do áudio. Ele acredita que essa crítica foi influenciada por assessores que não são favoráveis ao ex-presidente. Ao final da entrevista, Salles foi questionado sobre sua posição em relação a diversos temas, refletindo a postura firme que pretende adotar em sua candidatura ao Senado. A série de entrevistas da Gazeta do Povo visa apresentar aos eleitores as propostas e visões dos candidatos ao Senado nos estados de São Paulo e Paraná, com o objetivo de fomentar um debate mais amplo sobre as eleições de 2026.



