Os Estados Unidos e o Paraguai estabeleceram um acordo significativo para abastecer um projeto de computação de alto desempenho voltado para inteligência artificial (IA) com energia gerada pela Usina Hidrelétrica de Itaipu. O anúncio, feito na última quarta-feira (21) durante a visita do vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, ao Paraguai, não menciona o Brasil, que também é gestor da hidrelétrica.
A parceria envolve a americana Crusoe e a paraguaia Araico, ambas focadas no desenvolvimento de projetos de energia e infraestrutura para IA. O projeto visa atender a clientes de nuvem nos Estados Unidos e na América Latina, com uma capacidade de até 280 megawatts de tecnologia da informação.
Em comunicado, a Crusoe destacou que o empreendimento será localizado próximo à subestação de Itaipu, garantindo acesso direto a uma das maiores e mais confiáveis fontes de energia hidrelétrica 100% renovável do mundo. A Araico será responsável pelo desenvolvimento e pela infraestrutura local, enquanto a Crusoe gerenciará e operará a infraestrutura física de computação da Crusoe Cloud.
O presidente paraguaio, Santiago Peña, comentou que a parceria traz empregos, investimentos, tecnologia e inovação ao Paraguai, além de oferecer um modelo escalável para promover mudanças significativas e duradouras. Landau, por sua vez, afirmou que este projeto tem o potencial de se tornar o maior investimento privado estrangeiro na história do Paraguai, reforçando os laços entre os dois países.
Em uma publicação no LinkedIn, a Araico ressaltou que a ideia é desenvolver IA em um local onde a energia é abundante e acessível, destacando a vantagem do Paraguai nesse aspecto. O país, segundo a empresa, está começando a transformar essa vantagem em crescimento industrial, empregos qualificados e liderança regional em infraestrutura de IA.
A Usina Hidrelétrica de Itaipu, localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai, é regida pelo Tratado de Itaipu, assinado em 1973. A gestão da usina é compartilhada entre os dois países, com conselhos independentes compostos por brasileiros e paraguaios.
Este acordo surge em um momento em que o Paraguai busca estreitar laços com os Estados Unidos na área de tecnologia. Recentemente, o país se tornou o 26º signatário da Declaração Pax Silica, uma iniciativa americana que visa a cooperação internacional em cadeias de suprimentos de inteligência artificial e tecnologias estratégicas. O ministro das Relações Exteriores paraguaio, Rubén Ramírez, assinou o documento em uma cerimônia no Departamento de Estado, em Washington, ao lado do subsecretário de Estado para Assuntos Econômicos dos EUA, Jacob Helberg. A iniciativa conta com a participação de países como Austrália, Coreia do Sul, Japão, Índia, Israel e Reino Unido, além da União Europeia, com Argentina e Chile também sendo signatários na América do Sul.




