A tensão entre a Vale e a Previ, fundação de previdência do Banco do Brasil, ganhou novos contornos com as declarações do presidente do conselho de administração da mineradora, Daniel Stieler. Em um comunicado recente, Stieler acusou a Previ de abusar de seu poder de voto ao solicitar sua destituição. Ele afirmou que a iniciativa da fundação atropela os ritos internos e enfraquece a governança da empresa. A assembleia que decidirá sobre a troca na presidência do conselho está marcada para o dia 22 de julho. A Previ, que pediu a destituição de Stieler no último dia 11, argumenta que a mudança visa promover a independência do conselho e melhorar a governança da Vale. Stieler, que foi eleito para o cargo em 2021 por indicação da própria Previ, recusou o pedido para deixar o cargo antes do término de seu mandato, que se estende até 2027. Aliados de Stieler afirmam que a motivação por trás da troca é política, uma alegação que a Previ nega. Em resposta, a fundação afirmou, em comunicado, que sua proposta de destituição está alinhada ao seu papel como investidora institucional, comprometida com a fiscalização e a promoção das melhores práticas de governança. Stieler, em sua defesa, destacou que a questão central é avaliar se uma mudança na liderança neste momento traria mais benefícios do que riscos, considerando o ciclo operacional e estratégico favorável da Vale. Ele argumentou que um pedido de destituição sem respaldo em fatos pode caracterizar um desvio de poder. O presidente do conselho ressaltou que a Previ não tem mais direito a indicar dois representantes no conselho, uma vez que sua participação acionária na mineradora foi reduzida a 7,01%. Stieler se apresenta como um conselheiro independente, sem vínculos com acionistas relevantes, e defende que a destituição proposta pela Previ não se justifica pela sua atual participação acionária. Com apenas um voto contrário e três abstenções, o conselho de administração da Vale propôs aos acionistas a rejeição do pedido de destituição de Stieler, argumentando que houve uma “notória evolução” na governança da companhia nos últimos anos. Essa proposta reflete um esforço para manter a estabilidade e a continuidade das práticas de governança na Vale, em um momento em que a empresa busca fortalecer sua posição no mercado.




