Post: Estádios nos EUA priorizam estacionamento e se afastam dos centros urbanos

Estádios nos EUA se afastam dos centros urbanos priorizando estacionamento, refletindo fatores econômicos e culturais.
Estádios nos EUA priorizam estacionamento e se afastam dos centros urbanos

As torcidas que compareceram ao estádio de Boston no dia 9 de julho para assistir a uma das partidas da Copa do Mundo enfrentaram um longo percurso de cerca de 40 quilômetros entre a região central da cidade e a arena, localizada em Foxborough, uma pequena cidade do condado de Norfolk. O Gillette Stadium, como é conhecido, não é uma exceção entre os estádios americanos, que frequentemente se encontram afastados das grandes metrópoles. Esse fenômeno se repete em outras arenas, como o MetLife, que serve tanto Nova York quanto Nova Jersey, e o AT&T Stadium, em Dallas, que na verdade está em Arlington. Para os torcedores que decidiram assistir à partida que levou a Espanha à final, a viagem até o estádio exigiu pelo menos uma hora, e aqueles que optaram por transporte público enfrentaram uma combinação de trem e ônibus que levava cerca de uma hora e meia. O afastamento geográfico dos estádios pode ser atribuído a uma série de fatores, principalmente econômicos. Fernando Rossetto Gallego Campos, pesquisador do Instituto Federal de Santa Catarina, explica que o alto preço dos terrenos nas grandes cidades leva à expulsão das arenas de áreas centrais, onde os custos são exorbitantes. Além disso, a cultura esportiva nos Estados Unidos é marcada por um modelo de negócios. Diferentemente de muitos países, onde os times são clubes, nos EUA, eles são frequentemente franquias privadas. Isso significa que os estádios, que muitas vezes pertencem a grupos privados, são vistos como empreendimentos lucrativos. Estar localizado fora dos centros urbanos permite que esses grupos reduzam custos operacionais e adquiram terrenos a preços mais acessíveis. Outro aspecto cultural relevante é a preferência dos americanos pelo uso do automóvel. A cultura de ir ao estádio de carro e estacionar no local é predominante, o que exige uma infraestrutura robusta para estacionamento. O MetLife, por exemplo, disponibiliza cerca de 27 mil vagas, enquanto o icônico Maracanã, no Rio de Janeiro, conta com apenas 526, que ficam fechadas em dias de jogos. Entre os estádios mais novos que seguem o padrão da FIFA, a Neo Química Arena, casa do Corinthians em São Paulo, oferece 3.900 vagas. Para quem optar por ir ao jogo do time contra o Remo no dia 23, o estacionamento custará R$ 147. Nos EUA, o estacionamento é uma parte essencial do modelo de negócios dos estádios, algo que ainda não se consolidou da mesma forma no Brasil. A combinação de fatores econômicos e culturais resulta em um cenário onde as arenas estão cada vez mais distantes dos centros urbanos, refletindo uma realidade que pode impactar a experiência dos torcedores e a dinâmica das cidades.

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