A eliminação da seleção de Senegal na Copa do Mundo de 2026 trouxe à tona uma crise interna que pode ter consequências significativas para o futuro da equipe. Após uma derrota dramática por 3 a 2 para a Bélgica, mesmo após estar em vantagem de 2 a 0, a pressão sobre o técnico Pape Bouna Thiaw aumentou consideravelmente. A situação se agravou com a declaração do meio-campista Pape Gueye, que anunciou que não voltará a jogar pela seleção enquanto a atual comissão técnica estiver no comando.
Gueye, que teve um desempenho notável ao marcar dois gols na fase de grupos, foi titular na partida contra a Bélgica, mas acabou substituído na etapa final. Sua decisão de se afastar da seleção reflete um descontentamento crescente entre os jogadores, que consideram a eliminação um resultado desastroso e um reflexo das falhas táticas do treinador. “Voltarei mais tarde para dizer algumas palavras sobre nossa eliminação. Mas hoje anuncio que, enquanto essa comissão técnica permanecer no comando, vou dar um tempo na seleção nacional”, declarou o atleta em suas redes sociais.
A partida contra a Bélgica foi um verdadeiro teste de nervos para a equipe senegalesa, que esteve a apenas cinco minutos de garantir uma vaga nas oitavas de final. A virada da Bélgica, que ocorreu após um pênalti polêmico marcado com auxílio do VAR, deixou os torcedores e a imprensa senegalesa em estado de choque. O jornal Yoor-Yooir criticou duramente Thiaw, afirmando que o colapso histórico não foi culpa dos jogadores, mas sim resultado de uma gestão tática desastrosa.
Em resposta às críticas, Thiaw justificou suas escolhas, alegando que alguns jogadores estavam cansados e incapazes de continuar. “Quando se perde, não dá para dizer que as mudanças valeram a pena, porque estávamos em vantagem. Mas o futebol é assim. Temos que aceitar”, afirmou o técnico.
A situação do treinador se complica ainda mais devido a um histórico recente de controvérsias, incluindo sua suspensão por retirar a equipe de campo durante a final da Copa Africana de Nações. Com um novo contrato assinado e salários atrasados recebidos antes da Copa, Thiaw agora se vê em uma posição delicada, sendo considerado um “pato manco” pelos próximos meses.
Além disso, a carreira internacional de Kalidou Koulibaly, capitão da seleção, pode estar chegando ao fim após 105 partidas. Os erros cometidos pelo zagueiro nas duas primeiras partidas da fase de grupos contribuíram para derrotas que abalaram a confiança da equipe. Por outro lado, o meia Idrissa Gana Gueye, de 36 anos, pode ser tentado a permanecer na seleção, especialmente se o Senegal conseguir reverter a decisão que retirou o título da Copa Africana de Nações, um cenário que poderia motivar jogadores como Sadio Mané a continuar defendendo a camisa senegalesa.
A próxima Copa Africana de Nações, que será co-organizada por Quênia, Tanzânia e Uganda, representa uma nova oportunidade para Senegal, que busca conquistar seu terceiro título em quatro edições. A expectativa é que essa competição possa servir como um novo começo para a equipe, que agora enfrenta desafios internos significativos.



