Post: Jorginho Mello é reeleito governador de Santa Catarina no primeiro turno

Jorginho Mello é reeleito governador de Santa Catarina no primeiro turno das eleições de 2026, superando a marca de 68% dos votos válidos.
Jorginho Mello é reeleito governador de Santa Catarina no primeiro turno

Neste domingo (4), o governador Jorginho Mello (PL) foi reeleito ao cargo de governador de Santa Catarina, garantindo sua vitória no primeiro turno das eleições de 2026. A confirmação do resultado foi feita pela Justiça Eleitoral na mesma noite da votação, que teve 81,63% das seções eleitorais totalizadas. Mello obteve 68,3% dos votos válidos, totalizando aproximadamente 2,373 milhões de votos, superando a marca necessária de 50% mais um dos votos válidos para assegurar a reeleição de forma imediata.

O candidato Gelson Merísio (PSD) ficou em segundo lugar, com 115,93% dos votos válidos, o que corresponde a 553,1 mil votos. Os demais candidatos a governador de Santa Catarina obtiveram as seguintes porcentagens: João Rodrigues (PSD) 13,73%; Marcelo Brigadeiro (Missão) 1,1%; Laís Chaud (UP) 0,52%; Ralf Zimmer (PRD) 0,22%; Professor Marcus Sodré (PSTU) 0,16%; e Bruno Pedreiro (PCO) 0,06%.

Jorginho Mello é visto como um dos principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Seu alinhamento político com a família Bolsonaro se refletiu na candidatura do filho “02” do ex-presidente, Carlos Bolsonaro (PL), que mudou seu domicílio eleitoral para participar das eleições deste ano. Para apoiar Carlos, Mello também lançou uma candidatura dupla ao Senado, que inclui a deputada federal Caroline De Toni. Além disso, ele formou uma coligação de direita com o partido Novo, indicando o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, como candidato a vice-governador.

Essas articulações políticas influenciaram a aliança em torno de João Rodrigues, que recebeu apoio de partidos importantes, como o MDB e a federação União Progressista. Durante seu primeiro mandato, Mello aprovou diversas leis estaduais alinhadas à direita conservadora, o que gerou tensões com o presidente Lula (PT) e com o Supremo Tribunal Federal (STF). Em junho, Mello acionou a Procuradoria Geral da República (PGR) após Lula fazer uma referência a Adolf Hitler em um evento em Itajaí (SC), o que gerou polêmica e críticas.

A cidade de Itajaí já havia sido palco de embates entre Mello e Lula. Em 2024, o governo petista conseguiu a federalização do porto da cidade, retirando a gestão portuária do município. A Autoridade Portuária de Santos (APS) assumiu o controle das atividades, evidenciando a disputa entre os dois líderes. Além de ser um dos governadores mais críticos de Lula, Mello também fez declarações contrárias ao STF, especialmente durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, defendendo a anistia do aliado, que foi condenado por tentativa de golpe de Estado.

Em abril deste ano, Mello criticou novamente o STF após a Corte derrubar uma lei estadual que proibia cotas raciais e de gênero em universidades públicas e instituições privadas que recebem recursos públicos. No ano passado, ele sancionou a lei que instituiu o “abril amarelo” no calendário oficial do estado, promovendo ações de conscientização sobre a defesa da propriedade privada e o combate a invasões do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

A oposição ao governador do PL fez com que Lula participasse de eventos públicos em Santa Catarina sem a presença de Mello nos últimos anos. O ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues, se apresentou como representante da “direita raiz”, buscando conquistar o eleitorado catarinense durante a pré-campanha ao governo do estado.

Rodrigues propôs a implantação de um programa de internação involuntária para dependentes químicos e pessoas em situação de rua. Em resposta, Mello sancionou uma lei estadual que prevê o cadastro de moradores de rua com reconhecimento facial e monitoramento por GPS. Além das divergências ideológicas, Rodrigues destacou sua capacidade de entrega de obras viárias e a desburocratização da máquina pública, prometendo a emissão de alvarás em até 30 dias.

O IBGE registrou que 503.580 pessoas migraram de outros estados para Santa Catarina entre 2017 e 2022, resultando em um aumento de 4,66% na população do estado, conforme os dados do Censo divulgado no ano passado. A busca por melhores oportunidades no mercado de trabalho é um dos principais fatores que atraem novos moradores para Santa Catarina, que se destaca como líder na migração interna no Brasil.

A taxa de desemprego no estado foi de 2,2% no segundo trimestre deste ano, a menor do Brasil, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) também aponta um crescimento no saldo de empregos formais e nas admissões desde 2020.

A capacidade produtiva de Santa Catarina é um dos fatores que ajudam a explicar a atração de trabalhadores e investimentos. O estado ocupa a segunda posição geral no Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), e lidera nos pilares de segurança pública e capital humano. Na educação, a capital Florianópolis apresentou avanços significativos, subindo da 15ª para a 2ª posição entre as capitais brasileiras no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) dos anos finais do ensino fundamental, e da 10ª para a 3ª posição nos anos iniciais.

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