O presidente do Instituto Vladimir Herzog, Rogério Sottili, enviou uma carta ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, expressando preocupação com a possibilidade de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. O alerta foi feito no dia 19 de agosto.
Sottili destaca que há indícios de que o governo do então presidente Donald Trump possa não reconhecer o resultado das eleições presidenciais no Brasil. Essa avaliação surgiu após uma viagem aos Estados Unidos, onde o presidente do instituto dialogou com líderes políticos e representantes de organizações da sociedade civil.
“Já existe ingerência externa por parte dos Estados Unidos e há um indício muito forte de que essa tendência continuará em relação às eleições brasileiras, com a possibilidade de não reconhecimento do resultado”, enfatiza Sottili na carta.
Além disso, o documento expressa preocupação com a atuação da Organização dos Estados Americanos (OEA), que monitora processos eleitorais nos países-membros. O Instituto Vladimir Herzog pede que as instituições brasileiras estejam atentas para garantir que a OEA possa atuar com autonomia e rigor técnico, sem ceder a pressões políticas internacionais.
O instituto também solicita que o STF se manifeste sobre essas ameaças. Segundo a entidade, um questionamento internacional sobre o resultado eleitoral pode comprometer a legitimidade da Corte e ser usado internamente para contestar decisões judiciais.
“Um eventual questionamento internacional do resultado eleitoral pode deixar de ser apenas um problema diplomático e passar a ser utilizado para deslegitimar decisões judiciais, estimular o descumprimento da Constituição, atacar a independência do Poder Judiciário ou sustentar iniciativas voltadas à ruptura da ordem democrática”, conclui a carta.


