A disputa pelo governo do Distrito Federal (GDF) entre Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) tem se desenrolado em um cenário de intensa polarização, semelhante à que se viu nas eleições presidenciais entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Celina, que ficou a apenas 168 votos de garantir a vitória no primeiro turno, busca consolidar sua vantagem até o segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro. Por outro lado, Grass tenta mobilizar seu eleitorado para reverter o resultado e conquistar o Palácio do Buriti. A governadora chega ao segundo turno com o apoio de uma ampla coalizão partidária, que inclui siglas como PP, Republicanos, MDB e PL. Durante a campanha, Celina teve a presença de figuras como Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, que contribuíram para sua visibilidade, mas também geraram confusão entre os eleitores sobre os números de seus candidatos. Após a anulação de votos de 26.603 eleitores que digitarem o número 22, correspondente ao PL, Celina reconheceu que a associação com suas aliadas pode ter confundido os eleitores. “Acho que minha presença é muito junto com a Michelle e com a Bia, nós estávamos sempre juntas na campanha. Confundi um pouco a cabeça do eleitor, porque eu sou o número 11”, declarou a governadora. Para o segundo turno, Celina planeja esclarecer essa confusão e reforçar sua identidade como candidata do número 11, ao mesmo tempo em que busca mobilizar os 426 mil eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. “Esse clima de ‘já ganhou’ no segundo turno não pode acontecer”, alertou. A atual governadora também enfrenta a crise do Banco de Brasília (BRB), que se intensificou durante sua campanha. Celina, que assumiu o cargo em 2026 após a saída de Ibaneis Rocha, tenta desvincular sua candidatura dos problemas da gestão anterior. Embora tenha sido vice de Ibaneis, ela evitou discutir soluções para a crise do BRB durante a campanha, atribuindo parte da responsabilidade ao governo federal. A crise envolve a compra de títulos do Banco Master e a tentativa de aquisição de outra instituição financeira, resultando em especulações sobre uma possível privatização do BRB, o que Celina nega. “O BRB está firme, tem mantido a liquidez e as pessoas que acreditam no BRB sabem que nós vamos tirar o banco dessa situação”, afirmou. Celina também está buscando um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com a União, embora o governo federal já tenha indicado que não pode garantir essa operação. Durante a campanha, a governadora procurou distanciar a imagem de Ibaneis, que havia manifestado interesse em concorrer ao Senado, mas acabou desistindo devido a pressões internas no MDB. No primeiro turno, Celina obteve 825.530 votos, representando 49,93% dos votos válidos, enquanto Grass recebeu 569.930 votos, ou 34,47%. O petista chega ao segundo turno com uma desvantagem de 15,46 pontos percentuais e busca ampliar seu eleitorado. Grass está em busca dos votos dos candidatos que não avançaram, como Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo), além de tentar mobilizar os eleitores que não compareceram ao primeiro turno. “Temos 800 mil votos para buscar. Não é mais sobre esquerda ou direita, sobre um partido ou outro; é sobre o futuro de Brasília”, afirmou Grass. No entanto, ele enfrenta o desafio de construir uma base de apoio no Legislativo, onde a maioria dos deputados federais eleitos apoia Celina. Grass também tenta evitar que a polarização nacional limite sua candidatura, afirmando que seu governo manteria diálogo com o governo federal, independentemente de quem ocupe a presidência. “O papel do governador do Distrito Federal, independentemente de quem seja o presidente da República, é defender Brasília”, concluiu. Com uma disputa acirrada à vista, o cenário político no DF promete ser intenso até o dia da votação.



