Os economistas elevaram suas previsões para a inflação e reduziram a expectativa da taxa Selic neste ano, mas mantiveram inalteradas as projeções para 2027. Essa análise foi apresentada no mais recente Boletim Focus, divulgado nesta terça-feira (13), que reflete o impacto das eleições no cenário econômico. A pesquisa anterior foi realizada antes do primeiro turno, encerrando-se no dia 1º de outubro.
Para 2027, a inflação permanece em 4,3%, enquanto a taxa de juros é projetada em 12% e o Produto Interno Bruto (PIB) em 1,4%. Apesar de uma mudança no governo, as expectativas para os dois anos seguintes sofreram ajustes mínimos: a previsão de inflação para 2028 foi ligeiramente reduzida de 3,8% para 3,79%, e para 2029, de 3,51% para 3,50%. Por outro lado, a expectativa para o PIB de 2028 foi elevada de 1,81% para 1,83%, enquanto a Selic foi mantida em 10,5% para 2028 e 10% para 2029.
A alteração mais significativa foi em relação às expectativas para 2023. A inflação subiu de 5,01% para 5,22%, impulsionada por um aumento de 0,82% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em setembro, conforme divulgado pelo IBGE. Esse aumento é atribuído ao fim do bônus de Itaipu, que resultou em um acréscimo de 7,98% nas contas de luz. Além disso, os preços de combustíveis, passagens aéreas e alimentos também contribuíram para a pressão sobre o IPCA.
A previsão da Selic foi reduzida de 13,5% para 13,25%, com expectativas de cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões de novembro e dezembro. Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,75%. Anteriormente, não havia previsão de redução para dezembro.
A vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições gerou otimismo no mercado, levando a Bolsa a ultrapassar 209 mil pontos, um recorde histórico. O dólar, por sua vez, fechou abaixo de R$ 5. Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou com 45,16%. O mercado vê uma possível vitória de Bolsonaro como um sinal de uma política fiscal mais restritiva.
A expectativa é que uma mudança de governo traga um maior controle sobre os gastos públicos e medidas que melhorem a trajetória das contas públicas, favorecendo os ativos brasileiros. O candidato promete um “tesouraço” de gastos de 2% do PIB, equivalente a cerca de R$ 250 bilhões, que incluiria a desvinculação dos reajustes da Previdência Social, afetando aposentadorias e outros benefícios.



