O dólar comercial voltou a se aproximar de R$ 5,20 nesta sexta-feira (28), em meio à turbulência provocada pelo tom mais duro do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh. Apesar da pressão sobre a moeda, a bolsa de valores brasileira resistiu, garantindo a oitava sessão consecutiva de ganhos.
Os mercados reagiram à sinalização de Warsh sobre a inflação nos Estados Unidos, aumentando as expectativas de que o banco central americano poderá elevar os juros já em setembro. No fechamento da sessão, o dólar à vista foi cotado a R$ 5,196, apresentando uma alta de 0,62% no dia e acumulando um crescimento de 1,06% na semana.
Principais números do mercado:
- Dólar à vista: R$ 5,196 (0,62%);
- Dólar na semana: alta de 1,06%;
- Ibovespa: 175.664,62 pontos (0,3%);
- Ibovespa na semana: alta de 2,71%.
Durante a sessão, o dólar operou em alta, acompanhando a valorização da moeda americana no exterior após o discurso de Warsh no simpósio de Jackson Hole, um importante encontro anual de presidentes de bancos centrais. A moeda chegou a cair para R$ 5,1581 na abertura, mas ganhou força ao longo da manhã, atingindo uma máxima de R$ 5,23, uma alta de 1,30%, por volta das 13h18. No entanto, no fim do pregão, desacelerou e encerrou a semana a R$ 5,196.
A valorização do dólar se deu após Warsh afirmar que o Federal Reserve ainda terá trabalho a fazer caso a inflação subjacente não retorne rapidamente à meta de 2%. Essa sinalização aumentou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e fortaleceu as apostas de uma possível alta de juros em setembro. O rendimento do título de dois anos do Tesouro, sensível às expectativas para a política monetária do Fed, subiu mais de 0,1 ponto percentual, atingindo 4,35%.
O índice DXY, que mede a força do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, subiu 0,57%, alcançando 99,668 pontos.
No Brasil, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) também influenciaram as expectativas para os juros. O país criou 58.568 vagas formais em julho, um número abaixo das projeções do mercado, reforçando a percepção de desaceleração do mercado de trabalho. Essa situação aumentou as apostas de que o Banco Central poderá reduzir a Taxa Selic em setembro, com uma expectativa predominante de corte de 0,25 ponto percentual, para 13,75%.
A Selic está atualmente em 14% ao ano, enquanto a taxa básica de juros dos Estados Unidos varia entre 3,50% e 3,75%. Essa diferença nas taxas de juros é um dos fatores que impactam o fluxo internacional de recursos e, consequentemente, o câmbio.
O principal índice da B3, o Ibovespa, também encerrou o pregão em alta, embora tenha perdido força após o discurso de Warsh. O índice chegou a superar os 176 mil pontos no início da sessão, mas fechou a 175.664,62 pontos, com uma valorização de 0,30%. Essa foi a oitava alta consecutiva do Ibovespa, que acumulou uma valorização de 2,71% na semana, embora ainda registre uma queda de 1,31% em agosto. No acumulado de 2026, a alta chega a 9,02%.
Os dados da B3 indicam uma entrada líquida de recursos estrangeiros na bolsa paulista, com um saldo positivo de R$ 1,3 bilhão nos quatro pregões anteriores. Contudo, no acumulado de agosto, o fluxo estrangeiro ainda é negativo em R$ 18,7 bilhões.
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários encerraram a sexta-feira em baixa, pressionados pela perspectiva de uma política monetária mais restritiva do Fed. O Nasdaq foi o mais afetado, após ter avançado mais de 1% na sessão anterior. O Dow Jones caiu 0,02%, fechando a 53.559,99 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 0,25%, para 7.711,73 pontos. O Nasdaq teve uma queda de 0,52%, encerrando a 26.402,42 pontos.
A reação dos mercados estadunidenses reflete a expectativa de que o Fed poderá manter uma postura mais rígida diante da inflação, com a alta dos rendimentos dos títulos públicos reduzindo o apetite por ativos de maior risco e contribuindo para a queda das bolsas no país.
* Com informações da Reuters



