O dólar começou a quinta-feira (22) em alta, com os investidores atentos à divulgação da pesquisa Datafolha, que trará os números do segundo turno da eleição presidencial. Às 9h08, a moeda americana estava cotada a R$ 5,0518, apresentando uma alta de 0,49%. Na quarta-feira (21), o dólar havia encerrado o dia em leve alta de 0,17%, a R$ 5,026, enquanto os investidores avaliavam os resultados da pesquisa da Quaest, também relacionada ao segundo turno das eleições, agendado para domingo (25). No cenário internacional, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras moedas fortes, fechou próximo da estabilidade.
O mercado acionário brasileiro, por sua vez, teve um dia negativo, com o Ibovespa registrando uma queda de 0,86%, fechando aos 206.495 pontos. Essa queda foi impulsionada principalmente pelas ações da WEG, que recuaram 7,33%, cotadas a R$ 45,21, após a divulgação de resultados do terceiro trimestre que não atenderam às expectativas dos analistas. Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos, comentou que, embora o balanço da WEG não tenha sido desastroso, ele ficou abaixo do que o mercado esperava de uma empresa avaliada em cerca de 30 vezes o lucro. O especialista destacou que o mercado exige crescimento e margens elevadas nesse patamar de avaliação.
A conversão das vendas da WEG em reais e a rentabilidade da empresa foram impactadas pela variação do dólar, dado que mais de 60% da receita da companhia provém do exterior. No terceiro trimestre, as vendas internacionais cresceram quase 15% em dólares, mas apenas pouco mais de 8% em reais. Trotta também mencionou que o aumento dos custos com cobre, tarifas nos Estados Unidos e a fase inicial de operação de novas fábricas pressionaram as margens da empresa. Além disso, o especialista apontou que a entrada de capital na Bolsa brasileira tem beneficiado empresas mais sensíveis a juros e consumo. Nesse contexto, a WEG, que é vista como uma alternativa de proteção devido às suas receitas em moeda estrangeira, tem perdido espaço nas carteiras de investidores que buscam outras oportunidades. No campo político, a pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) possui 45% das intenções de voto, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 44%. Comparado ao levantamento da semana anterior, Flávio teve uma oscilação negativa de um ponto percentual, dentro da margem de erro de dois pontos, enquanto Lula manteve seu índice. O resultado aponta para um empate técnico entre os candidatos, com 9% dos entrevistados afirmando que votariam em branco ou nulo e 2% indecisos.
Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o mercado aguardava que os números da pesquisa confirmassem a percepção de uma vantagem numérica do senador, mesmo em um cenário de empate técnico. Araújo ressaltou que a expectativa é reforçada pelo recente desempenho positivo da Bolsa brasileira, que teve uma alta de 1,57%, impulsionada pelo chamado trade eleitoral, que reflete a movimentação dos investidores em função das eleições.



